300 pessoas saem no primeiro voo de repatriamento do Gana
"Já não é confortável para nós ficarmos aqui", desabafou um imigrante, que saiu no primeiro voo de repatriamento organizado pelo Gana. Violência xenófoba já matou 62 pessoas, desde 2008, na África do Sul. Ramaphosa apela a respeito pela lei, mas governo tem sido incapaz de travar violência xenófoba, alimentada por grupos zulu.
O Gana, uma das nacionalidades mais visadas pela violência xenófoba na África do Sul, fez esta quarta-feira, 27 de Maio, o primeiro voo de repatriamento, a partir de Joanesburgo. Um voo saiu do aeroporto OR Tambo, com 300 ganeses, o primeiro grupo de 800 pessoas que se registaram para o repatriamento, segundo o Alto-comissário do Gana, Benjamin Quashie.
O Gana, que tem uma comunidade estimada em 25 mil cidadãos na África do Sul, foi dos primeiros países a reagir oficialmente aos violentos protestos anti-imigração, organizados pelo movimento March and March, e aos ataques a lojas incitados pelo grupo Operation Du dula, termo que em zulu significa "empurrar" ou "expulsar".
Dois grupos diferentes, mas com a mesma retórica anti-imi gração, a que se juntou o Action SA, partido de Herman Masha ba, que recusa o rótulo de anti--imigração, alegando que a luta é contra a imigração ilegal.
Mas o que se observa nas redes sociais e nos meios de comunicação tradicionais é que o principal alvo do Operation Dudula e do March and March, que deu até 30 de Junho para os imigrantes indocumentados saírem do país, são cidadãos africanos, o que levou Julius Malema, líder do partido Economic Freedom Fighters (EFF), a rejeitar a narrativa de que os imigrantes de países como o Zimbabué e o Gana são responsáveis pelas dificuldades económicas locais. Malema, que se notabilizou pelo seu discurso contra a comunidade branca, alerta que os ataques contra os imigrantes são motivados por acusações injustificadas e manipulação política que aprofundam a divisão entre os africanos, acções que não criam emprego nem melhoram as condições económicas.
O movimento March and Mach ganhou tracção no último ano, graças a Jacinta Ngobese-Zuma, uma influenciadora digital zulu que usou o discurso anti-imigra ção como leitmotiv para lançar, em Março de 2025, uma iniciativa popular nas redes sociais que exige a deportação em massa de imigrantes ilegais até 30 de Junho, acusando-os de serem responsáveis pela elevada taxa de desemprego.
Já o grupo Operation Dudula tem como líder outra zulu, Zandile Dabula, uma mãe solteira que, aos 55 anos, ajudou a formar no Soweto o primeiro grupo que "viria a formalizar o que antes eram ondas esporádicas de ataques de vigilantes motivados por xenofobia na África do Sul" como descreve uma reportagem da BBC de Setembro de 2023.
"Já não é confortável para nós ficarmos aqui, por isso temos de ir embora", desabafou um cidadão do Gana, dono de um salão de beleza, à BBC. Após 10 anos a viver na África do Sul, regressou a casa, esta quarta-feira.
Actos criminosos
Na segunda-feira, após uma reu nião de emergência, a ministra da Justiça e Desenvolvimento, Mma moloko Kubayi, afirmou que as pessoas que protestam contra a imigração ilegal devem respeitar o Estado de Direito. Duas semanas antes, o Presidente Cyril Ra maphosa apelou aos sul-africanos que respeitem e cumpram as leis do país, enquanto o governo enfrenta o desafio da...











