Mundial de futebol é uma máquina de fazer dinheiro
Em 40 anos as receitas da FIFA na organização do campeonato do mundo de futebol passaram de 300 milhões para 11 mil milhões USD, quase 37 vezes mais. Eram 16 equipas em 1986 e este ano vão ser 48 selecções.
Quando a Itália recebeu o Mundial de 1990, a FIFA arrecadou cerca de 450 milhões USD. Trinta e seis anos depois, a edição de 2026, organizada pelos Estados Unidos, Canadá e México, deverá gerar perto de 10,9 mil milhões USD. Em pouco mais de três décadas, as receitas do principal evento do futebol mundial multiplicaram-se por mais de 24 vezes, transformando uma competição desportiva numa das mais rentáveis plataformas comerciais do planeta.
A evolução não resulta apenas do crescimento natural da modalidade mais popular do mundo. O que aconteceu foi uma profunda transformação do modelo de negócio da FIFA. Nos anos 80 e 90, a principal fonte de receita eram os contratos de transmissão televisiva e a venda de bilhetes. Hoje, o Mun dial é uma operação global de entretenimento, marketing e media que movimenta verbas comparáveis às maiores empresas multinacionais.
O primeiro grande salto ocorreu em 1994, quando os Estados Unidos organizaram um Mundial que muitos consideravam um risco desportivo, mas que se revelou um enorme sucesso comercial. As receitas quase duplicaram relativamente à edição anterior, impulsionadas pelo tamanho do mercado norte-americano e pela crescente valorização dos direitos televisivos.
A partir de 2002, com o Mundial realizado conjuntamente pela Coreia do Sul e Japão, a FIFA começou a explorar de forma mais agressiva os mercados asiáticos e as grandes marcas globais. Mas foi em 2006, na Alemanha, que o torneio entrou definitivamente numa nova dimensão financeira. As receitas aproximaram-se dos 3 mil milhões USD, mais 81% do que quatro anos antes.
Desde então, cada edição serviu para aumentar a escala do negócio. A África do Sul, em 2010, consolidou a expansão para novos mercados. O Brasil, em 2014, beneficiou do crescimento das plataformas digitais e das redes sociais. A Rússia, em 2018, reforçou as receitas comerciais, enquanto o Qatar, em 2022, elevou--as para cerca de 7 mil milhões USD, apesar da controvérsia em torno da organização do evento.
O Mundial de 2026 deverá marcar uma nova ruptura. Pela primeira vez, a competição terá 48 selecções e 104 jogos, contra os tradicionais 32 participantes e 64 partidas. Mais jogos significam mais bilhetes vendidos, mais publicidade, mais direitos televisivos e mais oportunidades de patrocínio. Não é por acaso, a FIFA prevê receitas recorde de quase 11 mil milhões USD.
O mais interessante é que a FIFA conseguiu aumentar as receitas muito mais depressa do que o próprio crescimento da audiência global. Ou seja, não foi apenas mais gente a ver futebol, foi sobretudo a capacidade de vender cada espectador, cada patrocinador e cada minuto de transmissão por valores cada vez mais elevados.
O resultado é que o Campeonato do Mundo deixou de ser apenas uma competição desportiva. Tornou-se um activo económico global, capaz de gerar, em apenas um mês, receitas equivalentes ao PIB anual de vários países africanos. E se a expansão para 48 selecções provar ser comercialmente bem-sucedida, dificilmente a FIFA resistirá à tentação de continuar a aumentar a dimensão do torneio.
No futebol moderno, os golos continuam a decidir campeões. Mas são os contratos de televisão, os patrocinadores e os mercados globais que explicam porque razão cada Mundial vale hoje milhares de milhões de dólares.











