Saltar para conteúdo da página

Logo Jornal EXPANSÃO

EXPANSÃO - Página Inicial

Opinião

17º aniversário

17º aniversário

Há quem confunda patriotismo com alinhamento. Nós não confundimos. O País melhora com perguntas difíceis, não com aplausos automáticos.O Expansão continua a apostar em números, gráficos, tabelas e contexto porque sabe que o leitor não quer apenas informar-se, quer perceber. E perceber exige mais do que adjectivos. Exige método e memória.

O Expansão faz 17 anos. Um projecto privado, num mercado onde a comunicação social pública ocupa o espaço, o tempo e, muitas vezes, o volume, continuar de pé - e continuar a incomodar - é motivo de orgulho. E também de vigilância. Porque o que não falta é gente que adora a ideia de uma imprensa livre... desde que seja livre para concordar.

Nestes 17 anos, consolidámos uma forma de trabalhar que incomoda precisamente por ser simples: ouvir as partes, confirmar em várias fontes, publicar com dados, e dar contraditório - não como favor, mas como regra. E aqui chegamos à ironia recorrente: há instituições que continuam a achar que se não responderem, a notícia não existe. Outras acreditam que o contraditório é obrigatório, mas só quando lhes é conveniente. E há ainda as que tratam a pergunta como ofensa e o silêncio como política pública. Acontece.

O problema é que o silêncio, em democracia, não é argumento - é apenas ruído. Continuamos a não recuar perante pressões externas - as explícitas e as "muito simpáticas". As que chegam em tom grave e as que vêm embrulhadas em elogios: "Nós gostamos muito do vosso trabalho, mas..." O "mas" é sempre a parte interessante. Pode ser para pedir que a notícia não saia. Ou para pedir que saia "com outro enfoque". Ou para sugerir que o título seja mais... patriótico. Há quem confunda patriotismo com alinhamento. Nós não confundimos. O País melhora com perguntas difíceis, não com aplausos automáticos.

O Expansão continua a apostar em números, gráficos, tabelas e contexto porque sabe que o leitor não quer apenas informar- -se, quer perceber. E perceber exige mais do que adjectivos. Exige método e memória. Exige a coragem de dizer "isto não bate certo" quando não bate certo - mesmo que alguém prefira que bata, nem que seja à martelada. Por isso, quando insistimos em fazer contas, comparar séries, cruzar dados e perguntar "quem ganha" e "quem paga", não é obsessão; é vocação! Há demasiadas decisões públicas que se anunciam em modo épico e se executam em modo improviso. E o jornal existe, também, para separar uma coisa da outra.

Por isso, neste aniversário, o agradecimento é também um convite: aos leitores que nos acompanham, aos anunciantes que escolhem um jornal que não vende a linha editorial em troca de conforto, ao accionista que não interfere na linha editorial, à administração e a todos os profissionais que aqui trabalham, para continuarmos a provar que a imprensa livre é um pilar, não um ornamento.

Queremos o melhor para Angola. E, se por vezes parecemos "duros", é porque levamos o País a sério. Não estamos do lado do barulho, nem do lado do silêncio. Estamos do lado da verdade - essa "coisa" teimosa que não desaparece só porque alguém preferia que não fosse publicada. Um abraço apertado a todos os que fizeram e fazem parte desta caminhada. Obrigado por continuarem connosco - sobretudo quando não é não é confortável.

Edição 865 do Expansão, sexta-feira, dia 27 de Fevereiro de 2026, em papel e versão digital

Logo Jornal EXPANSÃO Newsletter gratuita
Edição da Semana

Receba diariamente por email as principais notícias de Angola e do Mundo