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Opinião

A Lei, Pátria da Economia

CONVIDADO

A conclusão é clara: Angola não acompanhou a melhoria institucional regional nem se aproximou do padrão mundial. A reforma decisiva não começa apenas na moeda, no orçamento, no petróleo ou no investimento estrangeiro; começa na confiança - na lei, no juiz, no contrato, no registo, na propriedade e na imparcialidade do Estado. Sem essa confiança, a liberdade económica é formal; com ela, pode tornar-se diversificação real e futuro partilhado.

A economia começa onde a lei deixa de ser promessa e passa a ser garantia.

Douglas North

A Área 2 do Economic Freedom of the World, consagrada ao Sistema Legal e aos Direitos de Propriedade, mede a ossatura invisível que sustenta uma economia de mercado: independência judicial, imparcialidade dos tribunais, protecção da propriedade privada, integridade do sistema legal, execução dos contratos, segurança jurídica e, com ajustamento de género, igualdad formal de direitos económicos entre homens e mulheres. Na métrica do Fraser Institute, a escala oscila entre 0 e 10: quanto mais próxima de 10, mais robusto é o Estado de direito; quanto mais próxima de 0, mais densa é a penumbra da arbitrariedade, da incerteza e da vulnerabilida de económica.

1. Angola | Evolução do Sistema Legal e Direitos de Propriedade

Um país não progride apenas quando cresce; progride quando torna previsível o direito de crescer. North

Entre 1970 e 2023, Angola move-se num corredor estreito de rarefacção institucional. Partiu de 3,78 em 1970, desceu para 3,21 em 1975, alcançou o seu ponto mais elevado em 1995, com 4,03, recuou para 3,15 em 2000, atingiu o mínimo de 3,11 em 2014 e terminou em 2023 com 3,48. A leitura é severa: houve algum alívio recente, mas não uma verdadeira transfiguração institucional.

Angola melhorou, sim; mas melhorou pouco, tarde e sem a densidade suficiente para sustentar uma economia diversificada, concorrencial e aberta ao investimento produtivo. O sistema legal e os direitos de propriedade são a arquitectura invisível da prosperidade. Sem tribunais previsíveis, contratos executáveis, propriedade protegida e regras estáveis, o investimento torna-se defensivo, receoso, encarecido e quase clandestino. O capital não teme apenas impostos elevados; teme, sobretudo, a incerteza, a arbitrariedade, a captura administrativa e a dificuldade de fazer valer direitos.

Para Angola, as implicações são profundas: a baixa pontuação reduz a confiança dos investidores nacionais e estrangeiros e fragiliza a diversificação económica, pois sectores como agricultura comercial, indústria, turismo, logística, tecnologia e imobiliário produtivo dependem de segurança fundiária, registos fiáveis, contratos protegidos e justiça funcional.

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