Angola precisa de uma central de informação seguradora | E a ARSEG já tem os dados para a construir
Sem informação, o mercado não consegue precificar correctamente o risco - e paga o preço, mais cedo ou mais tarde, em sinistralidade não prevista e reservas insuficientes. A ausência de um sistema integrado não é apenas uma lacuna operacional. É um risco sistémico.
O setor segurador angolano tem atravessado uma fase de consolidação assinalável. As reformas regulatórias dos últimos anos, a crescente exigência da ARSEG e uma maior consciência dos agentes económicos sobre a importância de proteger ativos e rendimentos têm contribuído para um mercado mais dinâmico e, progressivamente, mais sofisticado.
Mas o crescimento traz consigo novos problemas - alguns deles silenciosos. Hoje, um tomador de seguros pode ter apólices activas em quatro seguradoras diferentes, acumular prémios em cobrança simultânea com valores significativos, e nenhuma dessas seguradoras saber o que as outras sabem. Cada operadora conhece apenas a fatia do cliente que lhe pertence.
O retrato completo não existe - ou pelo menos não está disponível para quem precisa dele na hora de decidir. Esta fragmentação tem nome: assimetria de informação. E no setor segurador, como no bancário, a assimetria de informação é o terreno fértil para a seleção adversa, para a fraude e, em última análise, para a deterioração da qualidade da carteira.
A ARSEG já tem os dados | Falta organizá-los
Há um detalhe importante que torna este debate particularmente urgente, e que nem sempre é referido: a ARSEG já detém grande parte desta informação. No âmbito da Informação Obrigatória Periódica (IOP), todas as seguradoras são obrigadas a reportar periodicamente à autoridade reguladora dados detalhados sobre as suas operações - incluindo informação sobre apólices e tomates. Ou seja, a ARSEG não parte do zero. O fluxo de dados já existe.
O que ainda não existe é a organização dessa informação numa base de dados centralizada, estruturada e acessível - de forma automatizada - às entidades que dela necessitam para tomar decisões. Tratar-
*Lopo Panzo, Financial Controller Sector Financeiro
*Domingos Santos, Risk Office














