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Opinião

Doença crónica

Editorial

Empurrar com barriga, fingir que estamos a lutar por uma vida melhor sem alterar os hábitos do passado só agravar a doença e tornar-nos mais fracos, apesar da falsa ilusão de que nos estamos a tratar e cheios de saúde. É assim enquanto cidadãos e é assim nos países.

Quando olhamos para o coração do país, o petróleo, percebemos que ele está a bater mais devagar, as exportações caíram abaixo da barreira psicológica do milhão de barris/dia, mas os medicamentos externos, o preço médio nas vendas nossas estão acima dos 100 USD, dando um ar saudável ao conjunto, à nossa economia.

Tal como os hipertensos, a doença está lá, mas com a compensação dos medicamentos até parece que está tudo bem. Só que, neste caso particular, o acesso aos medicamentos não depende de nós e, enquanto existirem, vamos viver tranquilamente, mas é melhor preparar planos mais eficazes para combater a doença, ou então querer mesmo, repito que rer mesmo, implantar soluções para que a nossa vida, a nossa economia, não dependa apenas de um coração.

Empurrar com barriga, fingir que estamos a lutar por uma vida melhor sem alterar os hábitos do passado só agravar a doença e tornar-nos mais fracos, apesar da falsa ilusão de que nos estamos a tratar e cheios de saúde. É assim enquanto cidadãos e é assim nos países. Não vale a pena gerenciar apenas o presente e ter fé que o futuro nos vai trazer coisas boas, que na verdade não depende de nós, porque aquilo que podíamos fazer, não estamos a desenvolver. Tal como nos doentes crónicos que dependem de medicação, também a governação se vai acomodar ao facto de estar vivo sem se preocupar com a qualidade de vida no futuro, porque até parece que está tudo a correr bem.

E se juntarmos a isto um grupo de amigos e uma família que passa a vida para dizer que estamos muito bem, é o que faz a comunicação social pública, vamos autoconvencer-nos que somos bons, bonitos, belos e carregados de saúde. Com o tempo e o alargar estes comentários, ficamos mesmo com a sensação de que somos intocáveis, imortais. Então por que mudar o que quer que seja? Dizemos que sim, que estamos preocupados só para irritar os críticos, mas fazemos tudo igual ao que fazíamos antes de ter a doença. Os mesmos hábitos, as mesmas posturas, a mesma forma de pensar.

Podia continuar a contar a história, mas todos sabem como acaba. Todos os amigos conhecidos ou conhecidos que agiam assim e, de repente, acabaram por morrer. E depois lá vieram as opiniões dos mesmos que sempre elogiaram, os hipócritas e bajuladores, "eu tinha avisado que tinha de mudar" ou "estava-se a ver que só podia acabar assim". E, visto de fora, se estes pudessem voltar a ter uma 2.º hipóteses de voltar à sua vida, certamente que dariam mais importância aos que criticavam, aos que, fugindo à facilidade da bajulação, tinham avisado que havia problemas, que era preciso mudar e que o caminho para garantir o futuro não era aquele. Iriam valorizar o esforço dos poucos que se levantaram para avisar que estavam a caminhar para um beco sem saída.

Acontece com os homens, mas também acontece com os governos e com os países. O mundo está cheio dessas situações e, para os homens inteligentes, não é preciso morrer para perceber que muitas vezes é necessário mudar, mesmo que custe, para garantir uma vida mais prolongada.

A conclusão óbvia para este editorial é uma frase que ouvi há muitos anos do meu avô: "João, não preciso de provar veneno para saber que mata. Alguém já passou por isso e seria muito burro se quisesse fazer o mesmo!" Percebem?

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