Porque é que o Reino Unido está a apostar no futuro de Angola?
Esta parceria não deve focar-se apenas no que já foi alcançado. Acima de tudo, deve olhar para o que ainda podemos construir juntos. Angola encontra-se num momento decisivo. O país procura diversificar a sua economia, atrair investimento produtivo, desenvolver novas cadeias de valor e criar empregos para uma população jovem e ambiciosa.
Trabalho em Angola há quase dois anos. Durante esse tempo, viajei por várias províncias e vi, em primeira mão, um país que continua a surpreender-me. Testemunhei paisagens naturais de beleza notável, com enorme potencial turístico. Conheci empresas, empreendedores e jovens talentosos determinados a construir algo novo. E vi oportunidades de negócio que vão muito além dos sectores pelos quais Angola é tradicionalmente conhecida. O que mais me impressionou, no entanto, é isto: grande parte desse potencial permanece pouco conhecido para além das fronteiras de Angola. Para muitos investidores internacionais, Angola continua a ser vista através de uma lente estreita. Mas qualquer pessoa que visite o país, que fale com os seus líderes empresariais, explore as suas províncias e experimente a energia do seu povo percebe rapidamente que a história de Angola é muito maior e muito mais cativante do que muitos imaginam.
Como Embaixador do Reino Unido em Angola, uma das minhas prioridades é ajudar a contar essa história de forma mais clara e ambiciosa. Naturalmente, quero criar oportunidades para as empresas Britânicas. Mas também quero ajudar a garantir que Angola seja reconhecida no Reino Unido pelo que realmente é: um destino atractivo para investimento, inovação e crescimento; um país de oportunidades concretas, não apenas de potencial abstrato. Foi desta convicção que nasceu a ideia do Fórum de Investimento Reino Unido-Angola: criar uma plataforma onde esta nova narrativa pudesse ser apresentada, debatida e transformada em parcerias genuínas.
O Reino Unido e Angola já partilham uma forte relação económica. Através da UK Export Finance (UKEF), a Agência de Crédito à Exportação do Reino Unido, projectos de infraestruturas e desenvolvimento no valor de mais de 2 mil milhões de libras esterlinas têm sido apoiados em sectores como saúde, abastecimento de água, energia e transportes. São projectos que mudam vidas: hospitais, sistemas de água, energia para comunidades e infraestruturas que ajudam a ligar pessoas, mercados e oportunidades.
No entanto, a força da nossa relação mede-se não só no investimento financeiro, mas também no investimento nas pessoas. Através do programa de Bolsas Chevening, o Reino Unido apoiou gerações de profissionais Angolanos a realizar estudos de pós-graduação totalmente financiados em universidades Britânicas de referência, fomentando uma rede de antigos alunos do Chevening que contribuíram, e continuam a contribuir, para o desenvolvimento de Angola através de papéis de liderança nos sectores empresarial, governamental, académico e da sociedade civil.
Mas esta parceria não deve focar-se apenas no que já foi alcançado. Acima de tudo, deve olhar para o que ainda podemos construir juntos. Angola encontra-se num momento decisivo. O país procura diversificar a sua economia, atrair investimento produtivo, desenvolver novas cadeias de valor e criar empregos para uma população jovem e ambiciosa.
O Reino Unido tem a experiência, o capital, a tecnologia e as empresas que podem contribuir para este esforço, desde que continuemos a fortalecer as ligações entre as necessidades de Angola e a experiência que o Reino Unido tem para oferecer. Esta semana, o Fórum de Investimento Reino Unido-Angola reuniu líderes empresariais, investidores, decisores políticos e empreendedores em Londres para discutir oportunidades concretas de cooperação e crescimento. As discussões centraram-se não em aspirações abstratas, mas em projectos, sectores e parcerias capazes de gerar resultados reais.
Mais do que um fórum sobre finanças, foi uma conversa sobre o futuro da economia angolana. A agricultura, minerais críticos, infraestruturas, energia, logística, serviços e inovação foram todos centrais nas discussões. São sectores onde há espaço para novas ideias, novos investidores e novas alianças. São também sectores essenciais se Angola quiser transformar a sua riqueza natural em crescimento inclusivo e prosperidade duradoura.
O fórum resultou de uma parceria entre o Governo do Reino Unido e o Governo de Angola, em colaboração com a AIPEX, a Câmara de Comércio Reino Unido-Angola e vários parceiros institucionais. Esta colaboração reflecte uma ideia simples: quando governos, empresas e instituições trabalham em conjunto, a ambição pode transformar-se em investimento e o investimento em impacto. O que mais me encorajou foi o forte nível de envolvimento dos participantes de ambos os lados.
As conversas que tiveram lugar em Londres demonstraram um reconhecimento crescente do potencial económico de Angola e uma determinação partilhada em construir parcerias práticas que possam apoiar o desenvolvimento a longo prazo do país. A verdadeira medida do sucesso do fórum não serão as discussões realizadas ao longo de dois dias, mas sim os investimentos, colaborações e oportunidades que surgem nos próximos meses e anos. Acredito que os laços entre o Reino Unido e Angola nunca foram tão fortes. Mas relações fortes devem ser continuamente renovadas através de ideias frescas, novas parcerias e uma visão partilhada para o futuro. O Fórum de Investimento Reino Unido-Angola marcou um passo importante nessa direcção. Agora a tarefa é aproveitar esse ímpeto e transformar o potencial de Angola em oportunidades reais, para investidores Britânicos, para as empresas Angolanas e, acima de tudo, para as pessoas que querem ver esse potencial traduzido em empregos, crescimento e benefícios tangíveis.
Bharat Joshi, Embaixador Britânico em Angola














