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Economia

Trocas comerciais disparam 127% com petróleo a elevar exportações, mas a encarecer importações

EXPORTAÇÕES AUMENTAM 4,4 MIL MILHÕES USD E IMPORTAÇÕES SOBEM 1,0 MIL MILHÃO

Petróleo mais caro, factura maior. Angola exporta crude, mas importa gasolina e gasóleo, captando os ganhos de um lado e absorvendo os custos do outro. Enquanto isso, a diversificação continua residual: excluindo petróleo e minérios, Angola exportou apenas 394,3 milhões USD em mercadorias como materiais de construção, bens alimentares e máquinas e equipamentos, equivalente a apenas 2% das exportações totais.

As trocas comerciais de Angola dispararam 127% para 34.588 milhões USD no primeiro semestre deste ano, face aos 15.247 milhões USD contabilizados no período homólogo, como resultado do aumento das exportações em 29%, que passaram de 15.105 milhões USD para 19.483 milhões USD e do crescimento das importações em 14% para 8.130 milhões USD, face aos 7.117 milhões USD registados no período homólogo, segundo cálculos do Expansão, com base nas estatísticas do Banco Nacional de Angola (BNA). Sem surpresa, o aumento das exportações foi sustentado pelo sector petrolífero (oil & gas), cujas vendas para o exterior subiram 31% para 18.400 milhões USD, mais 4.369 milhões USD nos primeiros seis meses do ano. O maior contributo veio das exportações de petróleo bruto, que cresceram igualmente 31% para 16.074,5 milhões USD, um aumento de 3.820,5 milhões USD quando comparado com o mesmo período do ano passado.

No entanto, este resultado deve-se essencialmente à alta do preço do petróleo, já que a produção tem estado em declínio desde 2016, apesar de nos primeiros seis meses deste ano ter registado um ligeiro crescimento. Para se ter uma ideia, entre Janeiro e Junho, Angola produziu cerca de 186,9 milhões de barris (+963,3 mil barris), o equivalente a uma média de 1,032 milhões de barris de petróleo por dia, mais 4.740 barris/dia, o que representa um aumento de 0,5% face à média de 1,028 milhões de barris/dia registada no mesmo período de 2025, de acordo com os relatórios mensais da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG).

Assim, o aumento da produção fez com que as petrolíferas que operam em Angola exportassem 174,8 milhões de barris de crude, mais 2,9 milhões de barris face ao período homólogo. Mas foi a subida do preço do petróleo nos mercados internacionais que adicionou os maiores ganhos aos volumes exportados.

O preço médio do barril de petróleo angolano disparou 29%, ao passar de 71,3 USD para 91,9 USD por barril, ou seja, mais 20,6 USD por barril. E na base desta valorização esteve o agravamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente, que provocou perturbações significativas nos mercados energéticos internacionais, fazendo disparar os preços do crude, à semelhança do que aconteceu em 2022, na sequência da guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Assim, o ligeiro aumento da produção e a alta do preço do petróleo permitiram elevar as receitas brutas com exportações de crude para 16.074,5 milhões USD.

O segmento do gás também viu as suas receitas aumentarem. O preço médio de exportação subiu 17%, ao passar de 69,2 USD para 81,3 USD por barril de óleo equivalente (BOE), ao passo que o volume exportado aumentou 19%, o que permitiu gerar receitas brutas de 2.158,2 milhões USD, mais 637,5 milhões USD do que no período homólogo. Contas feitas, o sector petrolífero continuou a dominar a pauta exportadora nacional, representando 95% das exportações totais do País, o que significa que a petrodependência se mantém nas...

Leia o artigo integral na edição 893 do Expansão, sexta-feira, dia 11 de Setembro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui

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