Vagas no ensino superior confirmam tendência de queda
O presente ano lectivo conta com 195.453 vagas, uma tendência de queda face às 231.932 vagas do ano anterior. Distribuição de vagas por áreas de conhecimento reflecte desalinhamento entre formação de capital humano e necessidades da economia nacional, que compromete a tão desejada diversificação
O número de vagas das instituições de ensino superior públicas e privadas autorizadas pelo Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI) reduziu 1%, no ano lectivo 2026/2027, para 195.453 estudantes, uma perda de 1.592 novos estudantes em relação às 197.045 vagas disponíveis no ano lectivo anterior.
A província de Luanda tem o maior número de vagas (79.396), seguido de Benguela (19.255), Icolo e Bengo (19.010), Huambo (16.945), Huíla (11.540), Bié (7.590), Uíge (7.439), Malanje (6.910), Cuanza Sul (4.775), Cuanza Norte (3.850), Moxico (3.655), Zaire (3.210), Cunene (2.815), Cubango (2.580), Cabinda (2.192), Namibe (1.830), Lunda-Sul (1.151), Lunda Norte (840) e Bengo (470).
As províncias do Cuando e Moxico Leste não disponibilizaram vagas para o novo ano académico. Mantendo a tendência dos anos anteriores, com 81.991 vagas, a área das ciências sociais tem o maior número de oferta formativa, representando 42% do total de vagas disponíveis. A seguir estão as ciências médicas e da saúde com 52.234 (26%), engenharias e tecnologias com 38.836 (20%), educação e formação com 13.836 (7%), humanidades e artes com 6.328 (3%), ciências naturais com 1.310 (1%) e ciências agrárias e veterinárias com 900 vagas (1%).
A distribuição de vagas por áreas de conhecimento reflecte o desalinhamento entre a formação de capital humano e as necessidades reais da economia nacional, que compromete a tão desejada diversificação económica. As estatísticas sobre a formação académica dos últimos 10 anos comprovam este desfasamento entre a oferta formativa e as necessidades da economia, ou seja: só um em cada 10 licenciados nos estabelecimentos de ensino superior do País entre 2014 e 2024 se graduaram em cursos ligados às engenharias, enquanto o maior número de formados no País estão concentrados nos cursos de ciências sociais e humanas, humanidades e educação, os chamados cursos de "papel e caneta".
A redução do número de vagas do ano lectivo 2026/2027 é uma das consequências da avaliação feita pelo Instituto Nacional de Avaliação, Acreditação, e Reconhecimento de Estudos do Ensino Superior (INAAREES), entre Julho e Setembro de 2025, que levou ao encerramento de mais de 50% dos cursos das Instituições de Ensino Superior (IES) públicas e privadas.
Entre as condições essenciais para atribuição das vagas constam o corpo docente em quantidade e qualidade, com perfil adequado, para salvaguardar o rácio estudante/professor bem como a qualidade do ensino ministrado, laboratórios suficientes e com condições apropriadas para a realização das actividades laboratoriais e das práticas inerentes aos cursos, salas de aulas e outras infraestruturas, entre outros critérios.
Num universo de mais de 300 cursos espalhados pelas instituições do ensino superior, as universidades privadas oferecem o maior número de vagas, ao atingir 168.789 lugares (85,66%), restando 28.256 vagas disponibilizadas pelas universidades públicas (14,34%). Para o novo ano académico, o ensino superior conta com um total de 106 instituições de ensino, das quais 75 são privadas e 31 públicas.











