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"As nossas sociedades são o somatório das nossas acções individuais"

OLGA LEITE/ PROFISSIONAL DE COMUNICAÇÃO

A profissional de comunicação e autora da biografia de Américo Gonçalves, expõe as fragilidades das nações perante a densidade populacional e defende que hoje as sociedades tornaram-se palco de conflitos sociais, políticos e económicos porque as pessoas não têm líderes que sirvam de referência e isso reflecte-se nas acções individuais das pessoas.

Lançou recentemente o livro Américo/Ocirema, sobre uma figura do jornalismo angolano. Explique-nos as motivações.

Considero esta a minha estreia no mundo da literatura. Embora já tenha escrito em 2014 um livro para uma instituição bancária voltada para o crédito agrícola em Portugal, não considero isso uma obra, foi apenas um trabalho que fiz. Na altura, o banco comemorava os 25 anos de existência e pediram-me para escrever um livro que falasse do percurso da instituição, mas acabei por focar--me nas pessoas e não propriamente na história da instituição.

Por que se desviou do foco?

Gosto muito de pessoas e das suas histórias. É aí que me inspiro. E escrever sobre um banco que tinha uma génese diferente dos outros, que nasceu para apoiar os agricultores, produtores de leite, de vinho, entre outros, levou-me a buscar a história dessas pessoas dentro das suas áreas profissionais. Compreender a história do que cada um fez desviou-me do foco.

Como foi o processo de criação da biografia de Américo Gonçalves e como se sente após concluir e lançar o livro?

Eu gostei, foi uma experiência muito interessante. Primeiro, escrever sobre uma pessoa que não conheci e que, infelizmente, já faleceu, fez-me perceber a dimensão do homem que ele era. O que me disseram é que era um jornalista, e quando comecei a pesquisar sobre a intervenção dele no jornalismo percebi que era muito mais do que um jornalista, era essencialmente um homem de cultura. Portanto, houve um momento em que me senti um pouco perdida ao querer compreender quem era este homem, o que tinha feito e que caminho fez usando o jornalismo. Precisei parar para me reunir com alguns colegas de trabalho, nomeadamente o Regi naldo Silva e o Silva Candembo e, questionei cada um deles se, de facto, o Américo foi um jornalista ou um homem de cultura.

Qual foi a opinião de cada?

Curiosamente, os dois têm opiniões distintas. O Reginaldo diz claramente que é um jornalista, um empresário da área da comunicação social. E o Candembo diz, não, é um homem de cultura. Com essas informações, questionei também a Aline Baptista Gonçalves, viúva de Américo, porque foi ela quem me pediu para fazer este trabalho. Em resposta, ela disse: "o meu marido era um homem de cultura".

Ele é considerado o pai do jornalismo cultural em Angola.

Não duvido que seja o pai do jornalismo cultural em Angola, porque se focava imenso na cultura. Compreenda que entrou para o Jornal de Angola como revisor, passou para a secção de reportagem e começou rapidamente a escrever para uma folha, onde apareciam algumas notícias de cultura e, pela primeira vez, um manifesto é publicado no Vida e Cultura, no Jornal de Angola. Num contexto marcado pelo colonialismo, em que não se noticiava nada sobre cultura. Portanto, quando se deu a Independência de Angola, ele procurou romper com a prática colonial de não valorizar a identidade africana, impondo-se quase a ferros, foi à procura de escritores, artistas plásticos, produtores de cinema e deu-lhes palco, por meio do jornalismo.

É de opinião que muitas pessoas não faziam ideia de quem foi Américo Gonçalves?

Sim, claramente. Assim como eu, tenho certeza que muitas pessoas não tinham noção da grande dimensão que tinha esse homem e que passarão a conhecê-lo em função do livro. Esta obra fazia falta, porque ele está presente na memória de um conjunto alargado de académicos. Como disse o Nuno Fernandes, o CEO da Edi center, a editora, "a doutora Aline fez um favor ao País."

Leia o artigo integral na edição 871 do Expansão, quinta-feira, dia 10 de Abril de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui

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