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"Faltam políticas de inserção dos artistas no mercado de trabalho e na Segurança Social"

CHANCE ELCHADAI | DIRECTOR ARTÍSTICO E ACTOR

Gerson Vangue, conhecido por Chance Elchadai escreve histórias que em palco mostram os desafios sociais, económicos, políticos e culturais que a classe artística em Angola enfrenta. Com a estreia da peça "Não é Kibinganu", o artista vem mostrar que Luanda não é uma herança dos nativos, mas sim uma terra que acolhe todas as pessoas que a visitam.

A Companhia Teatral Amazonas prepara a estreia da peça "Não é Kibinganu", integrada nas celebrações dos 11 anos do Circuito Internacional de Teatro (CIT). O que significa a expressão "Kibinganu"? Qual é a mensagem que pretende transmitir ao público com esta nova produção?

Kibinganu é uma expressão em língua nacional kimbundu que significa herança. Vamos estrear a peça no âmbito da 11.ª edição do CIT, que está inserida nas comemorações dos 450 anos da fundação da cidade de Luanda, e que homenageia Manuel António Gonçalves pelo seu contributo no desenvolvimento das actividades culturais e pelo crescimento do teatro em Angola. Os grupos teatrais foram desafiados a enquadrar as suas apresentações nesta temática. Como existem muitas pessoas que pensam que Luanda é herança dos que cá nasceram, mas Luanda é de todos nós. A peça gira em torno de um grupo de mulheres e homens sábios da Ilha de Luanda, que, ao entrarem em transe, confrontam-se com pessoas que fundaram a cidade e as questionam por não estarem a seguir os modelos de desenvolvimento deixados pelos seus antepassados.

O que o motivou a escrever a peça?

Não é verdade que as pessoas ainda digam que a cidade não se desenvolve e que as infraestruturas deixadas pelo colono se mantêm e que são um diferencial. Não é verdade, porque, ao fazer um levantamento de dados junto do Museu das Forças Armadas, das "mamãs" da ilha e não só, percebi que a cidade não se compara com que foi no passado e, hoje, somos todos filhos desta cidade que acolhe todos os povos de Angola e do mundo.

Em 2013, co-fundou a companhia, assumindo a direcção artística, função pela qual se tem destacado. O que motivou essa transição de actor para director artístico e produtor?

Comecei a fazer teatro num grupo infantil da Igreja Assembleia Pentecostal, no bairro Marçal, onde vivo actualmente. Depois comecei a estudar no 1.º de Maio e conheci dois professores, o Tony Frampênio e o Sérgio de Oliveira, que eram membros do grupo Enigma, que ficava também no 1.º de Maio. Formámos um grupo na escola para entreter os colegas e, devido ao meu talento, consegui entrar na companhia Enigma, onde cheguei a vencer o prémio de melhor actor do grupo em 2006. Depois, afastei- -me por questões laborais e, anos mais tarde, algumas colegas propuseram-me criar um grupo e a assumir o papel de director artístico devido aos anos de experiência que tinha nas artes cénicas.

Começou a sua trajectória na direcção artística sem qualquer experiência prévia na área?

Sim! Lembro-me que a primeira peça que escrevi e dirigi foi "A Matrícula", em 2013. Em 2015 Angola completou 40 anos de independência, houve uma grande temporada de teatro, e fomos distinguidos como Espectáculo Revelação da Temporada Angola 40 anos, conquistando dois prémios no...

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