BPC em falência técnica e com maior prejuízo da história da banca

BPC em falência técnica e com maior prejuízo da história da banca

Com o registo de -404,7 mil milhões Kz, os resultados do banco em 2019 passam a liderar o top 3 dos prejuízos da banca, com o segundo lugar a ser ocupado também pelo BPC, com os -73,1 mil milhões Kz registados em 2017, e com o antigo Banco Espirito Santo Angola (BESA) a fechar o pódio, com os -47,3 mil milhões Kz alcançados em 2014.

O Banco de Poupança e Crédito (BPC) fechou 2019 com o pior prejuízo da história da banca em Angola, ao registar perdas de 404,7 mil milhões Kz, superando em cinco vezes um "record" que já era seu, de acordo com o relatório e contas 2019.

O maior banco estatal está em falência técnica, os passivos são superiores aos activos, apresentando fundos próprios regulamentares negativos na ordem dos 87,2 mil milhões Kz e o Rácio de Solvabilidade também se degradou, atingindo os -11%, bastante abaixo do limite mínimo regulamentar definido pelo banco central, 10%. "A fraca qualidade dos activos, sobretudo do crédito, que apresenta uma taxa bastante elevada de incumprimento, está na génese do desempenho negativo, gerando produtos bancários insuficientes para cobrir os custos operacionais e provocando défices sucessivos de tesouraria, com impacto na sua liquidez e solvabilidade", escreveu o PCA, André Lopes, no relatório e contas.

A continuidade das operações daquele que é o maior banco estatal está, assim, dependente de injecção de capital pelo seu accionista, o Estado, e pelo cumprimento do plano de reestruturação aprovado em Março, cujo conteúdo continua sem ser revelado publicamente.

Se por um lado, o auditor independente, a Crowe, considera que o banco tem um elevado risco sistémico no sistema bancário nacional, pelo que "não é expectável que cesse as suas operações", por outro, o conselho fiscal alerta para o facto de o "contexto actual impulsionado pela pandemia" Covid-19 poder "impactar na capacidade dos accionistas poderem cumprir integralmente o plano". Revela ainda que o "processo de reestruturação e recapitalização do BPC tem sido acompanhado também de perto pelo FMI, que questiona a continuidade do banco".

As razões para um ano tão negativo em termos de contas resultam sobretudo da elevada exposição ao crédito malparado, com o banco a optar pelo aumento do reconhecimento das Imparidades de crédito: o BPC reforçou no período a imparidade dos créditos concedidos e dos outros devedores em 756,8 mil milhões Kz e 442,6 mil milhões Kz, respectivamente, que representa cerca de 96% da sua carteira bruta. (...)


(Leia o artigo integral na edição 574 do Expansão, de sexta-feira, dia 15 de Maio de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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