Por cada mil dólares de exportações angolanas só 0,60 cêntimos são de café

Por cada mil dólares de exportações angolanas só 0,60 cêntimos são de café
Foto: Adjali Paulo

A realidade deste produto que já foi actor principal na produção nacional é hoje diferente face ao que existiu antes da independência. Os 2,1 milhões USD de café vendido ao exterior em 2019 são uma pequena gota de água num oceano de petróleo, que vale 90% das exporatações.

Por cada mil dólares de exportações angolanas, apenas 0,60 cêntimos de dólar são de vendas de café, uma realidade que contrasta com o início do século, em que esse valor subia para os 1,5 USD, mas ainda assim bem distante do peso que esta commodity tinha no País no tempo colonial.

O "apagão" do café quer nas exportações quer no Produto Interno Bruto (PIB) é explicado, em grande parte, pelo desinvestimento no sector, já que no tempo da guerra, era junto às zonas de produção que se encontrava o palco dos conflitos. Assim, as pessoas foram saindo e a produção passou a ser praticamente residual.

Passados 18 anos após a guerra civil, as exportações de café valem hoje apenas 0,006% das vendas angolanas. Na prática, os 2,1 milhões USD de café vendido ao exterior em 2019 são uma pequena gota de água num oceano de petróleo, matéria-prima que vale 90% das exportações.

De acordo com o director do Instituto Nacional do Café (INCA), Costa Bonifácio, nos últimos quatro anos (de 2016 a 2019) o País produziu um total de 26,6 mil toneladas, com o Estado a arrecadar 17,7 mil milhões Kz, com o instituto a ficar com 3% deste valor.

O gestor do INCA explicou que, neste momento, existem 400 empresas produtoras de café sendo que a maioria são pequenas unidades familiares. Mas já foram muitas mais, admite. Além da produção, a cadeia contempla também fábricas de torrefacção que preparam a matéria-prima para depois ser exportada. Estamos a falar de um sector com margens de rentabilidade baixas, muito competitivo no estrangeiro e em que, por exemplo, há cinco anos actuavam 30 empresas exportadoras, número que entretanto baixou para 14.

Também já empregou milhares de angolanos, mas hoje dependem desta actividade cerca de 25 mil famílias, revelou o responsável do instituto. Estas representam 90% da mão-de-obra nacional, espalhada pelas províncias do Uíge, Cuanza Norte, Cuanza Sul, Cabinda, Benguela, Bengo, Huambo, Bié, Huíla e Malanje. A área em produção actualmente no País é de 52 mil hectares, sendo que a maior parte está no Cuanza Sul, onde existem, ainda assim, sistemas de produção bastante avançados.

(Leia o artigo integral na edição 585 do Expansão, de sexta-feira, dia 31 de Julho de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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