Títulos "da Recredit" já rendem liquidez ao BPC e "tiram" as contas do banco estatal do vermelho

Títulos "da Recredit" já rendem liquidez ao BPC  e "tiram" as contas do banco estatal do vermelho
Foto: César Magalhães

A Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA) já concluiu a transferência de títulos de dívida pública no valor de aproximadamente 523 mil milhões de Kz da carteira da Recredit para a conta do Banco de Poupança e Crédito (BPC) e, segundo apurou o Expansão, o banco estatal vai utilizar parte destes instrumentos de dívida para equilibrar as suas contas e o remanescente está a ser comercializado na Bolsa para conferir liquidez ao banco. Em causa estão os títulos de dívida pública emitidos pelo Estado a favor da Recredit em 2016 e 2017 para recapitalizar o BPC.

Entretanto tal como noticiou o Expansão, em Junho deste ano, com a implementação do Extendend Facility Fund, programa apoiado pelo FMI com um financiamento de 3,7 mil milhões USD (aumentado esta quarta-feira para os 4,5 mil milhões USD), o Fundo Monetário Internacional mostrou-se contra a entrada do banco mau no BPC, facto que deixou a operação de recapitalização em stand by. A maka apenas foi resolvida no final do primeiro trimestre deste ano, com a entrada do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE ) como accionista do BPC, facto que ditou a transferência dos títulos que estavam na carteira da Recredit para o BPC a operação visava a recapitalização do banco.

Assim que o banco público recebeu os activos da Recredit começou a vendê-los, via BODIVA.

"O BPC tinha títulos e podia recapitalizar-se com eles, mas não tinha liquidez, por isso, entre outras medidas do seu plano de recapitalização, começou em Junho a vender o instrumento de dívida que mais interessa aos investidores, as obrigações indexadas ao USD, mas impôs que quem as comprasse teria de adquirir também obrigações não indexadas à moeda forte que, neste momento, não são tão apetecíveis", revela uma fonte ligada ao processo.

De acordo com o site da BODIVA, como resultado desta estratégia, o BPC, em quatro meses de operações, tornou-se no principal vendedor de instrumentos de dívida pública entre membros da Bolsa de Dívida e Valores de Angola, ultrapassando gigantes como o BFA, BAI, Atlântico e Standard Bank Angola que, juntos, controlam 90% das contas individualizadas junto da Bolsa.

Só em vendas, o BPC despachou instrumentos de dívida pública no valor de aproximadamente 86 mil milhões Kz, quando o líder no montante negociado apenas vendeu pouco mais de 83 mil milhões Kz. Contrariamente aos seus pares, o BPC ainda não está a comprar dívida pública, o que o coloca numa posição irrelevante entre os que mais negoceiam, ou seja compram e vendem. Outra instituição que se destaca no dashboard da BODIVA é o BNA que é, neste momento, o maior comprador de títulos de dívida pública, tendo gasto aproximadamente 95.6 mil milhões Kz para comprar instrumentos de dívida pública aos credores do Estado, cujas dívidas foram pagas com instrumentos de dívida pública.

Partilhar no Facebook

Comentários

Destaques

ios Play Store Windows Store
 
×

Pesquise no i