"A literatura em Angola é frequentemente menosprezada"

"A literatura em Angola é frequentemente menosprezada"
Foto: D.R.

Lançou o seu livro "O meu colar de pérolas" em 2019 e quando decidiu fazer a reedição recebeu o convite para assumir a gestão da assessoria literária da editora portuguesa Mahatma para os PALOP, um cargo onde vai ajudar novos autores a editar. É uma pessoa poupada, mas não se inibe de gastar um bocadinho mais.

Como é que se tornou a representante da editora portuguesa Mahatma junto dos escritores dos PALOP?

A primeira vez que tive contacto com as Edições Mahatma foi em finais de Julho, quando estava a fazer pesquisa para trabalhar com editoras nacionais. Na verdade, tudo começou porque eles queriam obter algumas informações sobre o nosso mercado na perspectiva de uma autora jovem e, de forma inocente, expliquei. Normalmente, aproveitei para saber mais sobre a editora, embora já tivesse ouvido boas referências. Quando menos esperava, recebi o convite, explicaram-me o objectivo e, após analisar com muita atenção, aceitei.

Ficou surpreendida?

A proposta apanhou-me desprevenida, pois o que tinha em mente era lançar as minhas obras. Mas, claro que fiquei muito feliz por verem algo em mim e confiarem o suficiente para ficar com esta área, que é sensível para a própria sustentabilidade da editora no que toca à sua expansão para outros mercados.

Que responsabilidades tem durante estes dois anos?

O que faço é acompanhar o autor desde a conversa inicial até à publicação da obra. Em termos técnicos, é uma orientação individual a quem pretende publicar, relativamente ao mercado editorial e de acordo com as pretensões /ideias e as características do autor, partindo de textos, obras ou projectos dele. Este tipo de serviço tem como finalidade afastar a ideia de que lançar um livro por uma editora é um bicho de sete cabeças e ajudar a compreender como funciona o mercado.

Esperava que o seu livro de estreia, "O meu colar de pérolas", valorizasse tanto o seu percurso literário e profissional?

O primeiro livro é sempre o primeiro. Para mim, ele mostrou-me do que sou capaz de conseguir, através do trabalho, e trouxe aprendizagem, pois a Karen, antes de lançar "O meu colar de
pérolas", enquanto profissional, não é a mesma e isso é bom para quem quer continuar.

Quais as dificuldades dos autores dos PALOP?

A maior dificuldade é sempre na vertente financeira. Aprendi essa lição, em 2014, quando "entrei" para o mercado literário. Apesar de nós, os autores, entrarmos com a escrita, uma parte mais emocional, muitas vezes, esquecemos que algo bem feito exige um investimento, por vezes, maior do que esperamos. O que traz consigo a dificuldade de muitos não conseguirem entrar no mercado e não sabendo como funciona torna-se mais difícil.

Como olha para a literatura feita em Angola?

De maneira bastante positiva. Temos grandes autores, grandes obras, grandes narrativas que marcam épocas relevantes do nosso País ou mudanças na forma de escrever. Hoje há muita diversidade de géneros, estilos, temas. Apesar de ser fã de livros com pendor histórico, tenho conseguido ter acesso a outro tipo de obras que estava acostumada a ter contacto fora do País e sabe bem saber que nós também temos essa diversidade e talento dentro do nosso mercado.

(Leia a entrevista integral na edição 594 do Expansão, de sexta-feira, dia 2 de Outubro de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

Partilhar no Facebook

Comentários

Destaques

ios Play Store Windows Store
 
×

Pesquise no i