Crescimento agrícola sem transformação estrutural?
Os dados preliminares das contas nacionais de 2025 indicam que a agricultura é, actualmente, o sector com maior contribuição para o PIB angolano. Ainda assim, afirmar que este sector constitui o motor da economia pode ser prematuro, sobretudo num contexto em que persistem fragilidades estruturais e um histórico de expectativas excessivamente optimistas no discurso político. Afinal, estamos num ano pré-eleitoral!
Em Maio, foi destaque na imprensa o crescimento do sector agrícola na composição do PIB. De acordo com as Contas Nacionais Preliminares de 2025, publicadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o sector agropecuário e da silvicultura já representa 23,06% do PIB, ocupando a primeira posição. Se guem-se o comércio, com 19,27%, e o petróleo e gás, com 13,95%, cf. Gráfico 1.
Este crescimento da agricultura, embora desejável, exige uma análise cautelosa por parte da governação. Angola, à semelhança da maioria dos países africanos, enfrenta o desafio de transformar a estrutura da sua economia. Historicamente dependente do sector extractivo e da importação de bens de consumo corrente, com destaque para alimentos e combustíveis, o país precisa reduzir essas dependências. Dados do Banco Nacional de Angola (BNA) indicam que, desde 2023, as despesas com a importação de bens alimentares têm vindo a aumentar.
A experiência dos actuais países desenvolvidos mostra que a transformação estrutural das suas economias passou por uma redução progressiva do peso da agricultura no PIB. Hoje, nas economias mais avançadas, este sector representa menos de 3%.
A essa redução seguiu-se uma fase prolongada de expansão da indústria transformadora, sendo posteriormente acompanhada pela ascensão do sector dos serviços. Importa sublinhar que, apesar do predomínio actual dos serviços, esses países preservaram a sua base industrial, algo evidenciado durante a pandemia da Covid-19, quando conseguiram produzir rapidamente ventiladores e equipamentos de biossegurança, ao contrário de muitos países em desenvolvimento.
A evidência empírica demonstra que todos os países que transitaram de economias pobres para economias ricas passaram por dois processos fundamentais: ganhos significativos de produtividade agrícola e uma rápida industrialização. Angola não será excepção. A experiência de países asiáticos como a Coreia do Sul, Taiwan e, mais recentemente, a China mostra que, com liderança visionária e políticas consistentes, é possível acelerar este pro
*Fernandes Wanda, economista













