Saltar para conteúdo da página

Logo Jornal EXPANSÃO

EXPANSÃO - Página Inicial

África

Acordo entre 3 empresas garante cobalto da RDC para ser processado nos EUA

PARCERIA ESTÁ DEPENDENTE DE ACORDOS FINAIS

Estatal congolesa garante cobalto, que será processado no Arizona, e que se destina aos sectores aeroespacial, de defesa e baterias para veículos eléctricos dos EUA. Trafigura assegura passagem pelo Corredor do Lobito.

A empresa estatal congolesa Entreprise Générale du Cobalt (EGC), a norte-americana EVelution Energy e a Trafigura assinaram um memorando de entendimento com vista a estabelecer uma estrutura para o fornecimento de cobalto da República Democrática do Congo (RDC) aos Estados Unidos. Sujeito à assinatura de acordos definitivos, a parceria é um "passo significativo" para o estabelecimento de uma estrutura comercial que ligue a EGC e o sector do cobalto congolês, atra vés da Trafigura, à EVelution Energy, o principal processador à escala comercial de sulfato de cobalto e cobalto metálico nos Estados Unidos.

A iniciativa, que tem como base o Acordo Estratégico EUA-RDC sobre Minerais Críticos, assinado em Dezembro de 2025, em Washington, deverá apoiar a produção da EVelution Energy em aproximadamente 40% da procura projectada de cobalto dos EUA.

Segundo a estrutura comercial do memorando assinado entre as três empresas, a EGC, que poderá adquirir uma participação minoritária no capital da EVelution ou na sua infraestrutura de refinação, para promover a partilha de valor, garante a origem do cobalto, uma vez que tem um mandato exclusivo para a compra, processamento e comercialização de cobalto proveniente da mineração artesanal na RDC, de acordo com um decreto de 2019.

A Trafigura prestará serviços na cadeia de abastecimento, logística e marketing, usando o Corredor do Lobito para transportar o mineral. E a EVelution Energy processará o hidróxido de cobalto nas suas instalações no Arizona, transformando-o em sulfato de cobalto para baterias e/ou metal de cobalto para ligas, destinado aos sectores aeroespacial, de defesa e de baterias para veículos eléctricos dos EUA.

Fornecimento fiável

"Este modelo integrado visa reduzir os riscos associados aos fluxos transfronteiriços e apoiar um fornecimento de matérias--primas de cobalto para os Estados Unidos que seja financeiramente viável a longo prazo", sublinha um comunicado da Trafigura, disponível no seu site.

O cobalto é um mineral crítico para os sectores aeroespacial, sistemas de defesa, veículos eléctricos e microprocessadores. Contudo, os EUA não possuem infraestruturas nacionais para o seu processamento à escala comercial. As instalações da EVelution Energy no Condado de Yuma, Arizona, visam abordar esta vulnerabilidade estrutural, estabelecendo uma capacidade nacional segura de processamento de cobalto, apoiada por um fornecimento fiável e sustentável da RDC.

"Este acordo não só garante um mercado de alto valor para a produção artesanal, como também fomenta a transferência de competências, aproveitando a experiência industrial americana para desenvolver capacidades de processamento locais", declarou Eric Kalala, CEO da EGC, enquanto Navaid Alam, presidente e CEO da EVelution Energy, destacou a importância do acordo para "garantir um fornecimento fiável e sustentável de cobalto proveniente de fontes responsáveis para processamento doméstico nos EUA".

Já Gonzalo De Olazaval, diretor Global de Metais e Minerais da Trafigura, destacou o papel da empresa, como accionista da Lobito Atlantic Railway, em "co nectar os participantes do mercado para fortalecer as cadeias de abastecimento de matérias--primas estratégicas".

Os acordos comerciais definitivos e de longo prazo serão discutidos nos próximos meses. Na semana em que as três empresas assinaram o memorando de entendimento, o médico congolês Denis Mukwege, vencedor do Prémio Nobel da Paz de 2018, afirmou em entrevista à AFP que o acordo de paz assinado em Dezembro com os EUA está mais focado em "pilhar os recursos da RDC" do que em oferecer segurança.

"É bastante claro que, no que diz respeito aos minerais, os carregamentos já estão a sair, mas em troca não estamos a re ceber a segurança de que neces sitamos", justificou, qualificando o acordo de "predatório"

Logo Jornal EXPANSÃO Newsletter gratuita
Edição da Semana

Receba diariamente por email as principais notícias de Angola e do Mundo