Guerra pelos minerais críticos pressiona Corredor do Lobito a desenvolver-se mais depressa
A corrida aos minerais críticos africanos está a acelerar a disputa pelas rotas de exportação. EUA e Europa apostam na saída pelo Atlântico enquanto a China investe 1,4 mil milhões USD na recuperação da TAZARA para chegar ao Índico. Com o Copperbelt no centro do jogo, o Corredor do Lobito tem de ganhar velocidade para não perder espaço para os corredores concorrentes. Para Angola, já não basta transportar cobre e cobalto, o desafio é transformar a ferrovia em investimento, indústria, emprego e valor acrescentado.
África está a transformar-se num dos principais campos da disputa mundial pelo controlo dos minerais críticos. Mas a batalha já não se limita às minas. Estende-se às ferrovias, estradas, portos, energia e contratos de fornecimento que determinam por onde circulam cobre, cobalto, lítio, grafite e outros recursos essenciais às baterias, redes eléctricas, indústria automóvel, defesa e economia digital.
No centro deste novo mapa estão duas grandes rotas que partem praticamente da mesma região mineira e seguem em direcções opostas. A oeste, o Corredor do Lobito pretende ligar o Copperbelt da República Democrática do Congo (RDC) e da Zâmbia ao Atlântico através de Angola, apoiado pelos Estados Unidos, União Europeia e instituições multilaterais. A leste, a China está a investir 1,4 mil milhões USD na recuperação da TAZARA, que liga a Zâmbia ao porto de Dar es Salaam, na Tanzânia, oferecendo uma saída pelo Índico e daí para os mercados asiáticos. São duas ferrovias, mas também duas estratégias geopolíticas.
A dimensão do potencial mineral da região ajuda a explicar a corrida às infraestruturas. O Copperbelt que atravessa a RDC e a Zâmbia concentra estimativas superiores a 200 milhões de toneladas de recursos de cobre, enquanto a RDC, isoladamente, detém cerca de 55% das reservas mundiais conhecidas de cobalto.
A região acrescenta ainda lítio, tântalo, germânio, manganês e níquel, aos quais se junta o potencial angolano em terras raras e outros minerais ainda em fase de prospecção. Recursos que ganham maior importância perante as previsões da Agência Internacional de Energia, que apontam, mesmo considerando os projectos já anunciados, para um défice mundial de oferta de cobre próximo de 25% em 2035. É esta combinação entre concentração geológica, procura crescente e necessidade de diversificar o abastecimento mundial que transforma as ferrovias entre o Copperbelt e os oceanos Atlântico e Índico em activos geopolíticos....










