África é mais resistente do que pensam

África é mais resistente do que pensam
Foto: D.R.

Apesar das previsões apocalípticas, África pode estar mais bem posicionada do que muitos pensam para resistir ao choque combinado da pandemia da Covid-19, do colapso dos preços das mercadorias e da recessão económica global, assumindo que os seus líderes agem de forma sensata.

Embora o desempenho das economias africanas varie, a evolução global durante as duas últimas décadas tornou o continente mais resistente do que nunca.

No meu livro Unlocking Africa"s Business Potential(NdT: "Libertar o potencial empresarial de África"), analiso as transformações em curso e as novas oportunidades económicas do continente. Aplicando essa análise à actualidade, seis tendências em particular ajudarão a reduzir o impacto da crise actual.

Primeiro, as economias africanas estão a tornar-se cada vez mais competitivas. Apesar de a maioria dos países africanos se classificarem nas últimas posições do Índice de Competitividade Global 4.0 do Fórum Económico Mundial para 2019, as Maurícias, a África do Sul, Marrocos, as Seicheles, a Tunísia, a Argélia, o Botsuana, o Egipto, a Namíbia, o Quénia e o Ruanda estão todos no top 100. Adicionalmente, a melhoria das políticas económicas permitiu a países como a Etiópia, a Costa do Marfim e o Gana registarem taxas de crescimento do PIB significativas em anos recentes.

Segundo, os africanos apoiam a tendência actual no sentido de uma governação melhor e mais responsabilizável, que resulte de eleições democráticas, mandatos limitados e participação cívica acrescida. Nos últimos cinco anos, os inquéritos Afrobarometer indicaram que 68% dos africanos preferem a democracia, 75% defendem limites de dois mandatos para os seus líderes e 62% pensam que os cidadãos devem responsabilizar os governos, mesmo que isso atrase a tomada de decisões.

As recentes alterações na liderança política e as melhorias globais na governação não reflectem apenas a responsabilização vertical exercida pelos cidadãos nas eleições. Os países africanos também evoluíram no sentido da responsabilização horizontal, que envolve os mecanismos governamentais de controlo e compensação (NdT: no original, government checks and balances), e também no que poderíamos chamar de responsabilização diagonal, ou o efeito da responsabilidade pessoal nas instituições.

A terceira tendência positiva é demográfica. Espera-se que a população da África Subsaariana aumente dos 1.100 milhões para os 1.400 milhões até 2030, para os 2.100 milhões em 2050 e para cerca de 3.800 milhões até ao fim do século. Em 2030, perto de metade da população do continente estará concentrada em sete países: Nigéria, Etiópia, República Democrática do Congo (RDC), Egipto, Tanzânia, Quénia e África do Sul. Os quatro primeiros terão mais de 100 milhões de habitantes cada um.

*Professor e Co-director da Thunderbird School of Global Management da Universidade do Estado do Arizona

(Leia o artigo integral na edição 581 do Expansão, de sexta-feira, dia 3 de Julho de 2020, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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