Director Carlos Rosado de Carvalho

Diplomacia económica

Diplomacia económica

Consta nos corredores da diplomacia internacional que o ex-Presidente francês general De Gaulle ter-se-á uma vez recusado a receber um governante japonês com o argumento de que não estava para aturar vendedores de transistores. Não sei se a história é verdadeira ou se não passa de uma anedota. Mas faz algum sentido.

Os japoneses desde sempre perceberam que, se a diplomacia política era importante, a económica não era menos. Os resultados estão à vista: o Japão é a terceira maior economia do Mundo e as suas empresas detêm quotas de mercado invejáveis em muitos mercados, em parte graças aos bons ofícios da sua diplomacia económica.

O exemplo japonês frutificou e, actualmente, os problemas políticos são muitas vezes ignorados ou remetidos para segundo plano em benefício dos interesses económicos.

Trago novamente à colação a história do general De Gaulle a propósito da vinda a Luanda dos embaixadores angolanos no exterior para um encontro sobre a "Estratégia de Comunicação Governamental 2017", durante o qual o ministro das Relações Exteriores, George Chicoti, exortou os chefes das nossas embaixadas a darem prioridade à diplomacia económica.

O apelo ocorre num contexto difícil. A queda do petróleo colocou o País em sérias dificuldades económico-financeiras cuja solução passa, em parte, pelo estrangeiro, seja buscando financiamento, seja atraindo investimento directo. Duas coisas que Angola precisa para diversificar a economia e voltar a um crescimento que se veja.

Às embaixadas cabe ou pelo menos deveria caber um papel importante. Chegou a hora das chancelarias angolanas no exterior entrarem em cena e provarem que são capazes de ajudar o País a sair da situação difícil em que se encontra. Deixo duas dicas que podem ajudar.

As embaixadas de Angola não são ou pelo menos não deveriam ser um prémio para políticos e militares à beira de reforma preocupados, sobretudo, com os seus próprios negócios. Aos embaixadores cabe, antes do mais, zelar pelos negócios do Estado, não pelos seus.

Em segundo lugar, senhores embaixadores, não exagerem, sejam realistas. Não vendam o País como a oitava maravilha do Mundo. Da mesma forma que sabem que Angola tem um enorme potencial, os investidores estrangeiros não desconhecem os nossos problemas, como a corrupção e o mau ambiente de negócios. Bajulem só já na nossa casa. Lá fora sejam modestos.

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