Estudantes demoram até cinco anos a mais para concluir licenciatura
O tempo excessivo de permanência resulta em perdas de eficiência do ensino com impacto directo e negativo na utilização de recursos, na ocupação de vagas e na sustentabilidade financeira das instituições. Estudo atesta pouca eficácia das instituições de ensino superior em Angola.
Os alunos do ensino superior demoram entre um a cinco anos a mais, do que a duração regular da licenciatura, para concluir a formação superior em Angola, revela um estudo, coordenado por Osvaldo Varela, que foi solicitado pelo Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação (MESCTI) para verificar a eficácia interna das Instituições de Ensino Superior (IES).
O estudo tem como população-alvo estudantes graduados do ano académico 2022-2023 e abrange as 27 instituições de ensino superior (IES) públicas e 37 instituições privadas selecionadas, representando 97,8% do total de graduados (15.953) do ensino privado.
No global, a população-alvo do estudo corresponde a uma cobertura de 88,9% das IES elegíveis. Além disso, foram inquiridos 128 graduados do ano académico de 2022-2023 e docentes, gestores académicos e pessoal técnico e administrativo, num total de 250 inquéritos distribuídos.
Isto mostra que o estudo não se limitou a explicar o percurso escolar dos estudantes até à graduação, indo mais longe ao apresentar indicadores entre as disparidades sociais e a conclusão do curso no tempo de duração normal.
Desde logo, o estudo revela um paradigma preocupante que condiciona a eficácia do ensino superior: no ano lectivo 2022--2023, nenhum aluno concluiu o curso no tempo normal de duração da licenciatura, o que equivale a dizer que não conseguem defender os trabalhos de fim de curso no último ano académico, permanecendo na instituição por um tempo excessivo, que vai de um a cinco anos.
Na prática, a pesquisa analisou o tempo de permanência excessiva dos estudantes, de acordo com a natureza e desempenho das instituições, o género e os cursos. Em relação à natureza das IES, as universidades privadas apresentam melhor desempenho do que as públicas. Nos cursos de quatro anos, as públicas levam um tempo médio de 6,5 anos e as privadas 5 anos. Nos cursos que têm duração de 5 anos, as públicas levam 6,1 anos a concluir e as privadas 6,0 anos. E nos cursos de 6 anos as públicas levam 6,5 anos, no entanto, o estudo não revelou o tempo de duração das privadas neste caso.
Públicas menos eficazes
Em termos médios, as universidades apresentam menos eficácia, quando comparado com as escolas e institutos superiores. Por exemplo, um instituto superior regista um tempo médio de 5,3 anos nos cursos com duração de quatro anos, nas universidades em 6,3 anos e nas escolas superiores em 6,8 anos.
Nos cursos com duração de cinco anos, os institutos superiores registam um tempo excessivo 6,0 anos e as universidades com 6,2 anos. Já nos cursos de seis anos, os institutos superiores vão à frente com 6,7 dos 6,4 anos das universidades. Nesta categoria não foram abrangidas as escolas superiores. O top 3 das instituições com mais tempo de permanência excessiva nos cursos, ou menor eficácia, integra a Universidade... Leia o artigo integral na edição 875 do Expansão, sexta-feira, dia 08 de Maio de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui











