BNA vendeu 105,4 milhões USD às companhias aéreas para garantir operações e conectividade internacional
Esta actuação foi complementada pela disponibilização de divisas através da banca comercial, assegurando uma resposta articulada às necessidades das companhias aéreas, contribuindo para uma maior estabilidade no acesso à moeda estrangeira por parte das entidades do sector. O facto é que este alívio cambial surge num contexto internacional adverso, em que a combinação entre escassez de divisas e escalada dos preços dos combustíveis coloca o sector aéreo sob pressão acrescida.
O Banco Nacional de Angola (BNA) anunciou a venda de 105,4 milhões de dólares em divisas às companhias aéreas nos primeiros quatro meses do ano, numa intervenção de carácter excepcional destinada a garantir a continuidade das operações do sector e salvaguardar a conectividade internacional do país.
A maior parte deste montante foi disponibilizada em Abril, mês em que o banco central injectou cerca de 94,4 milhões USD, permitindo a liquidação integral das operações pendentes reportadas pelas transportadoras aéreas junto dos bancos comerciais. Trata-se da maior intervenção cambial do BNA para este sector em 2026, concentrando praticamente todo o esforço num único mês.
Segundo o banco central, esta actuação foi complementada pela disponibilização de divisas através da banca comercial, assegurando uma resposta articulada às necessidades das companhias aéreas. Este modelo tem "contribuído para uma maior estabilidade no acesso à moeda estrangeira por parte das entidades do sector", e reforçar a previsibilidade financeira num sector estratégico para a mobilidade, turismo e negócios.
O facto é que este alívio cambial surge num contexto internacional adverso, em que a combinação entre escassez de divisas e escalada dos preços dos combustíveis coloca o sector aéreo sob pressão acrescida. As tensões associadas ao conflito no Irão e os constrangimentos logísticos no Estreito de Ormuz (por onde circula cerca de 20% do comércio mundial de petróleo e gás) estão a pressionar o sector da aviação a nível global, com reflexos crescentes em Angola.
O impacto já começa a ser visível. Algumas companhias aéreas estão a ajustar operações e a suspender rotas de menor densidade devido ao aumento acentuado dos custos com combustível, como é o caso da Turkish Airlines, que decidiu suspender os voos para Angola entre 3 de Maio e 25 de Novembro.
Só para se ter uma ideia, o preço do Jet A1 em Angola disparou 102% entre Março e Abril, após vários meses de estabilidade. De acordo com o Instituto Regulador dos Derivados de Petróleo, o preço atingiu 976,55 Kz por litro em Abril, enquanto nas instalações aeroportuárias subiu para 1.228,69 Kz por litro, um aumento de 82%.
Importa realçar que o combustível representa cerca de 40% dos custos operacionais das companhias aéreas, tornando o sector particularmente vulnerável a choques externos.
Face a este cenário, a Associação das Companhias Aéreas da África Austral instou os fornecedores de combustível, operadores de armazenamento incluindo aeroportos e os governos da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral a partilharem com urgência planos de contingência para garantir o abastecimento ao sector.
A organização, que representa 16 companhias aéreas da região num universo de 43 membros, alerta que o transporte aéreo, um pilar essencial das economias da SADC, é altamente dependente da importação de petróleo bruto e de querosene Jet A1 refinado, ficando exposto a interrupções no fornecimento.
Embora exista a expectativa de uma resolução a curto prazo das tensões no Golfo e do levantamento das restrições no Estreito de Ormuz, o sector prepara-se para um cenário mais adverso. Mesmo com o fim do conflito, especialistas admitem que poderão ser necessários vários meses para que a produção de combustível normalize, tendo em conta os danos registados em refinarias da região.











