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"Luto para que a música não seja a minha única fonte de renda para não cantar por fome"

OLIVER LUANDA | CANTOR E ACTOR

Oliver Luanda usa a sua condição de albino para enaltecer o albinismo, destacando-se na música, cinema e moda, pois acredita que esta condição é a sua maior qualidade. Enquanto outros albinos são afastados, ele é incluído no circuito da arte angolana, justifica o artista.

Quando começou a dar os primeiros passos na arte?

Comecei em 2009, quando participei num concurso de caça talentos africanos, chamado "Deuses ao Palco", promovido por uma equipa portuguesa na província da Huíla. Na altura, tinha 14 anos e venci o concurso, isto despertou o meu lado artístico, sobretudo, o lado da música. Entretanto, foi uma experiência positiva que me abriu portas para o mundo da arte, sobretudo na música, porque em 2014 comecei a fazer interpretações em palco.

Quando se mudou para Luanda?

Escolheu a capital por ser o centro do desenvolvimento do País? Vim em 2019, com o objectivo de massificar a minha arte, porque sentia que o lugar onde me encontrava era muito fechado. No interior, a arte é valorizada. Mas aqui, é ainda mais e o artista consegue viver da sua arte.

Tem a música como a sua principal fonte de renda?

Não, porque priorizei a minha formação. Mas a música gera-me um bom rendimento. Sou licenciado em Ciências da Educação, na especialidade de Ciências Exactas. Estudo música e isso permite-me dar aulas de música e canto. Tenho um centro de formação, de nome Olicultura, fundado em 2022, com sete funcionários. Dou formação de línguas que falo, como inglês, francês e espanhol. Também dou formação de corte e costura. Então, eu luto para que a música não seja a minha única fonte de renda, para não ser um artista que faz música por fome, e que para resolver alguma situação precisa se preocupar em cantar, fechar contratos, para ter dinheiro.

Quando tomou a decisão de ensinar a sua arte para outras pessoas?

Quando descobri que sou uma artista e que tenho o dom de ensinar. Então, percebi que devia aliar o ensino à arte. Há quem seja artista, mas não tem o poder de ensinar e penso que aquele que não ensina o que sabe, não sabe o que faz.

Apresenta-se mais em eventos corporativos ou ambientes intimistas? Porquê?

Porque a música angolana feita actualmente, perdeu a essência de passar virtudes para as pessoas e valores que realmente nos fazem crescer na sociedade. As minhas músicas falam de motivação, superação, amor e não só, porque sinto que há necessidade de revivermos ou resgatar aquilo que se perdeu em Angola. Então, cantar para pessoas mais clássicas é algo que me fascina. Nestes lugares, valoriza-se mais os artistas, como André Mingas e Ruí Mingas, e os mais novos dificilmente vão por este caminho com medo de serem analisados porque muitas das músicas feitas hoje, só falam de imoralidade.

Nestes espaços, canta normalmente as suas próprias músicas ou interpreta músicas de outros artistas?

Canto as minhas músicas, porque assim consigo transmitir virtudes que pretendo passar para as pessoas. A alma é diferente quando canto a minha própria música. Mas as músicas interpretadas também trazem uma nostalgia e permitem passar virtudes para as pessoas.

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