Queda de 9% na produção de petróleo afunda balança comercial em 30%
O declínio da produção de crude em Angola tem sido cíclico desde 2016, com apenas uma interrupção em 2024. Em dez anos, o País perdeu mais de 752 mil barris/dia de capacidade de produção, devido à falta de investimento e ao envelhecimento dos poços. Com esta queda, a balança comercial já é a pior desde 2020, quando a diferença entre exportações e importações era de 11,5 mil milhões USD.
As exportações angolanas recuaram 12,4% em 2025, para 32.147,3 milhões USD, enquanto as importações aumentaram 11%, atingindo 16.757,3 milhões USD no mesmo período. A combinação da queda das vendas ao exterior com o crescimento das compras de bens no estrangeiro fez afundar em quase 30% o saldo da balança comercial do País, que se fixou em 15.390,0 milhões USD, segundo cálculos do Expansão com base nas estatísticas da Administração Geral Tributária (AGT). Apesar de ser uma balança comercial de mercadorias superavitária, já é a pior do pós-Covid, quando em 2020 a diferença entre as vendas (exportação) e as compras (importação) foi de 11.509,9 milhões USD.
O recuo das exportações deveu-se essencialmente à queda de 9% na produção de petróleo, que passou de 411,5 milhões de barris em 2024 para 375,6 milhões de barris em 2025, o que representa uma redução de cerca de 36 milhões de barris ao longo do ano, de acordo com cálculos do Expansão com base em dados da ANPG.
A produção acumulada nos doze meses correspondeu a uma média de 1,029 milhões de barris por dia, menos 69 mil barris face à previsão inscrita pelo Governo no OGE, fixada em 1,098 milhões de barris diários, a um preço de referência de 70 USD/barril. O declínio da produção de crude em Angola tem sido cíclico desde 2016, com apenas uma interrupção em 2024. Em termos práticos, os dados globais da produção petrolífera no país apontam para uma perda superior a 752 milhões de barris ao longo dos últimos dez anos. Isso resulta não só da redução dos investiments no sector, mas também do desgaste natural dos poços petrolíferos.
Entretanto, o Executivo tem anunciado medidas para conter a trajectória negativa, mas estas ainda não se têm revelado eficazes. Analistas assinalam que a conjuntura internacional, marcada por preços moderados (variaram entre 62 e 78 USD por barril ao longo do ano passado), terá levado algumas operadoras a ajustarem temporariamente os seus planos de extracção. Em declarações aos jornalistas, em 2024, a Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANPG), revelou que 45% dos 11.630 poços de petróleo perfurados no País estão fechados, sendo alguns abandonados.
Esperava-se que, após as acções de manutenção realizada em alguns blocos petrolíferos, com destaque para a FPSO Girassol, no Bloco 17 (dos maiores e mais produtivos bloco do País), ocorridas durante os primeiros seis meses do ano, a produção se aproximasse ou mesmo superasse as previsões do Governo. Tal não se verificou, mantendo- -se a tendência observada nos dados do primeiro semestre, período em que a produção média se fixou nos mesmos 1,029 milhões de barris por dia.
O petróleo representa mais de 90% das exportações angolanas, pelo que qualquer queda na produção afecta directamente o volume das mercadorias vendidas ao exterior, sobretudo quando os preços de referência do crude angolano não compensam o declínio produtivo. De acordo com dados do primeiro semestre de 2025 do Banco Nacional de Angola, o preço médio do barril situou-se em 71 USD, menos 11 USD face a 2024 e apenas 1 USD acima da previsão do OGE.
Leia o artigo integral na edição 861 do Expansão, sexta-feira, dia 30 de Janeiro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui)











