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Angola

Operadora do Corredor do Lobito faz contas à vida depois das inundações

TRANSPORTE FERROVIÁRIO ESTÁ INTERROMPIDO DESDE DOMINGO, 12 DE ABRIL

As tragédias cíclicas que afectam as populações ribeirinhas em algumas zonas do País são consequência do fraco poder local e dificuldades na definição de prioridades. Ocupação irregular de terrenos e pressão climática compõem um cenário de descaso institucional.

As fortes chuvas que têm marcado o mês de Abril em várias regiões do País, especialmente nas províncias de Luanda e Benguela, provocaram a suspensão da circulação de comboios no Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB) e obrigaram a operadora de carga, Lobito Atlantic Railway (LAR), a interromper o transporte de mercadorias entre Lobito e Luau. Os prejuízos associados ainda estão por contabilizar e a retoma dos serviços ferroviários continua sem data à vista.

O forte impacto das cheias no rio Cavaco, que desagua na zona norte da cidade de Benguela, provocou a destruição da ponte ferroviária que dá acesso à estação da segunda maior cidade do País, sendo que na segunda-feira, 13, a LAR informava apenas que continuava a "avaliar os danos causados pelas inundações nas infraestruturas ferroviárias". "Ainda é prematuro avaliar o potencial impacto no transporte de minerais provenientes da RDC", justificou a empresa, que preferiu não adiantar mais pormenores sobre as operações de carga ao longo do Corredor do Lobito.

Já antes, as inundações em Benguela obrigaram a LAR a emitir um comunicado oficial, no dia 12, domingo, onde admitiu a existência de "danos significativos na via ferroviária e nas imediações", sendo que a circulação ferroviária nos troços afectados encontrava-se "suspensa por tempo indeterminado". "Equipas técnicas especializadas estão no local a realizar uma avaliação completa, com vista à determinação da extensão dos danos e à definição das medidas correctivas necessárias.

A LAR está a assegurar a coordenação da resposta e o acompanhamento dos trabalhos em articulação com as entidades governamentais competentes, designadamente o Governo Provincial de Benguela e Caminho de Ferro de Benguela (CFB)", explicava a LAR, com os trabalhos de avaliação no terreno a estenderem-se durante a semana. Até ao fecho desta edição (quarta-feira, 15), a LAR não divulgou mais informações operacionais, nem dados concretos sobre o impacto das cheias no transporte de minerais entre a RDC e o Porto do Lobito. Na sequência das fortes chuvas no último fim-de-semana foram registados oficialmente 19 mortos, 11 desaparecidos, e cerca de 9.000 famílias desalojadas na cidade de Benguela, segundo informações divulgadas pelo Governo Provincial. Não foram apresentados dados sobre os prejuízos causados. Em determinadas regiões do País, as inundações (bem como a seca) são históricas e costumam dar origem a elevadas perdas humanas e económicas.

Vários especialistas, como urbanistas, engenheiros, arquitectos, membros de ONG"s, têm alertado para a necessidade de desenvolver estratégias de mitigação, só que o fraco investimento público em infraestruturas e sistemas de alerta e segurança, associado à falta de sensibilidade para acudir às verdadeiras necessidades dos cidadãos e à fraca organização administrativa na gestão das zonas urbanas, continua a atirar a maior parte da população para zonas de risco.

24 anos depois

Devido à tragédia provocada pelas inundações de dia 12, sobretudo na cidade de Benguela, começaram a circular nas redes sociais vários estudos e dissertações académicas associadas ao funcionamento da bacia hidrográfica (abrange uma área de 4.000 quilómetros quadrados) do rio Cavaco, que nasce na comuna de Kapupa, município do Cubal, província de Benguela.

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