Saltar para conteúdo da página

Logo Jornal EXPANSÃO

EXPANSÃO - Página Inicial

Angola

Vendedoras ambulantes resistem ao programa de reordenamento do comércio em Luanda

TRÊS ANOS APÓS A SUA IMPLEMENTAÇÃO

Apesar das acções de fiscalização e da criação de mercados formais, a venda ambulante continua a resistir em várias zonas de Luanda. Entre a necessidade de organização da cidade e a luta diária pela sobrevivência, o reordenamento do comércio avança a ritmos diferentes na capital, com dificuldades em conciliar a organização urbana com a sobrevivência económica de milhares de famílias.

No meio a ruas congestionadas e mercados sub-utilizados, as vendedoras ambulantes em Luanda desafiam diariamente o programa de reordenamento do comércio lançado pelo governo provincial em 2023, resistindo às medidas que prometem modernizar a capital, mas que, segundo elas, ameaçam o sustento de milhares de famílias.

As comerciantes afirmam que, embora o programa tenha como meta disciplinar e organizar o comércio, não oferece condições reais para a sua sobrevivência. Muitas alegam não possuir recursos para se instalar nos espaços formais disponibilizados, nem ter alternativas viáveis para manter a actividade.

"Há mercados, sim, que o governo disponibilizou, mas lá não vai ninguém. Você fica o dia todo sem clientes. Ninguém vende para perder", afirma Marta Rosa, vendedora de peixe fresco nos Congolenses. Ela sugere que o GPL deveria reorganizar as paragens de táxi, definir locais que concentram o verdadeiro fluxo comercial diário, como forma de atrair os vendedores para os mercados formais. Em mercados como Congoleses, Estalagem Km12, Calemba 2 e Golf 2, a resistência tem-se traduzido em protestos e permanência nas ruas, mesmo diante das acções de fiscalização.

Nestas zonas, o Programa de Reordenamento do Comércio (PRC) não passou de uma intenção, a venda informal continua espalhada pelas vias adjacentes, os mercados construídos ou reabilitados estão sub-utilizados e o espaço público permanece dominado por uma economia de sobrevivência que o Estado não conseguiu integrar.

No Golf 2, por exemplo, o reordenamento funciona apenas por horários. De manhã, a presença da fiscalização impede a venda nas vias principais, à tarde, a informalidade regressa. "Os fiscais dizem para vendermos nos bairros de manhã, mas à tarde podemos vender onde param os ta xistas", explica Rosa Mariano, evidenciando um sistema de tolerância selectiva que fragiliza a política pública.

Na Estalagem, a informalidade é assumida como última linha de defesa contra a pobreza. Júlia Eduardo, vendedora de peixe seco há mais de nove...

Logo Jornal EXPANSÃO Newsletter gratuita
Edição da Semana

Receba diariamente por email as principais notícias de Angola e do Mundo