Todos os sectores pessimistas pela terceira vez desde 2008

Todos os sectores pessimistas pela terceira vez desde 2008
Foto: César Magalhães

A perspectiva dos empresários e gestores do sector da comunicação caiu para terreno negativo no IV trimestre de 2020, o que aconteceu pela primeira vez desde o II trimestre de 2016, e fez com que pela terceira vez desde 2008 todos os sectores que fazem parte do inquérito do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre a Conjuntura Económica às Empresas estejam pessimistas quanto à evolução da economia no curto prazo.

Ainda assim, o pessimismo nos sete sectores que fazem parte do inquérito (comunicação, comércio, indústria extractiva, turismo, indústria transformadora, indústria transformadora, construção e transportes) só agravou mesmo no sector dos transportes e no da comunicação. A falta de procura e as dificuldades financeiras foram os principais constrangimentos do sector das comunicações, enquanto a insuficiência da procura, as dificuldades financeiras e de obtenção de créditos bancário, foram os principais constrangimentos apontados pelos empresários dos transportes que estão pessimistas quanto às perspectivas de actividade do sector no curto prazo.

Nos outros cinco sectores do inquérito, o pessimismo até diminuiu, com destaque para a construção (que ainda assim é o segundo mais pessimista) e para o comércio, que está a recuperar há três trimestres consecutivos, aproximando-se cada vez mais do terreno positivo, ou seja, optimismo.

O sector dos transportes era no IV trimestre o sector onde os empresários e gestores estavam mais pessimistas, ultrapassando a indústria transformadora e a construção, que eram os menos confiantes no III trimestre do ano passado.

Assim, o Indicador de Clima Económico (ICE) de todos os sectores, que avalia as expectativas dos empresários sobre a evolução da economia no curto prazo está em terreno negativo desde o III trimestre de 2015, tendo atingido o valor mais baixo no II trimestre de 2016 e fechou 2020 com uma subida de oito pontos para -16. Este valor corresponde ao saldo das respostas extremas, diferença entre as avaliações positivas e negativas dos empresários sobre as perspectivas de evolução da economia. Ou seja, a percentagem de empresários que tem perspectivas negativas sobre a evolução da economia angolana no curto prazo excede em 16 pontos percentuais a percentagem dos que têm perspectivas positivas. O inquérito é de âmbito nacional e envolve 1.638 empresas, divididas pelos sete sectores.

Desde 2017 que o pessimismo estava a reduzir, mas a pandemia da Covid-19 voltou a quebrar a confiança dos empresários e gestores. Ainda assim, no final de 2020 as notícias sobre o surgimento das vacinas e o início da vacinação um pouco por todo o mundo acabou por diminuir o pessimismo já que dava sinais de uma recuperação das economias já a partir de 2021. No final do IV trimestre de 2020 esta era também a expectativa dos empresários angolanos, até porque menos pessimismo nas economias mundiais teve como consequência o aumento da procura de petróleo, o que fez subir os preços para valores próximos dos 70 USD nos últimos tempos, o que é uma boa notícia para os cofres públicos angolanos, já que no Orçamento Geral do Estado para 2021 está previsto 39 USD como preço médio anual do barril.

(Leia o artigo integral na edição 617 do Expansão, de sexta-feira, dia 26 de Março de 2021, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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