O algodão e as indústrias têxteis

O algodão e as  indústrias têxteis
Foto: César Magalhães

Algodão é a fibra colhida manualmente ou com a ajuda de máquinas. As fibras são, de facto, pêlos originados da superfície das próprias sementes. O algodão é a fibra natural para roupas mais usada no mundo.

Discorrer sobre o algodão leva-nos a viajar ao tempo do massacre ocorrido na Baixa de Cassanje, facto de triste memória motivado pela revolta dos camponeses, que reclamavam melhorias nas condições precárias impostas pelo regime colonial.

Mas, como disse Agostinho Neto, no seu poema Havemos de Voltar; "... aos nossos campos, às nossas terras vermelhas do café, brancas do algodão...

" Tendo o tempo como elemento que sara todas as coisas, hoje assistimos à vontade de fazer ressurgir, em massa, a produção desta commodity. Eis a oportunidade de refazer as coisas, como se tivéssemos o compromisso de reparar e devolver a estes ancestrais que tombaram por uma causa nobre, e as almas, ou os espíritos, repousarem de facto em paz e tudo tornar-se branco, como o branco do algodão, na retoma "vingadora" do cultivo, e o aumento paulatino dos índices de produção para fornecer às empresas têxteis do Dondo, de Benguela e outras vindouras.

Actualmente, temos como maiores produtores de algodão, com uma produção estimada em mil toneladas métricas, a China (6.532), Índia (6.423), Estados Unidos (3.553), Paquistão (2,308), Brasil (1.524), Uzbequistão (849) e Austrália (501), sendo os Estados Unidos o maior exportador de algodão (40% do total das exportações).

O uso do algodão é vasto. As pessoas têm preferência pelas roupas feitas de algodão, porque são suaves, leves e fáceis de usar, principalmente, em regiões que têm climas mais quentes. Mas há outras utilidades do algodão. A celulose de algodão é usada na fabricação do papel, em curativos na medicina, na fabricação de redes de pesca, como subproduto, incluindo óleo e velas, e na fabricação de sabonetes.

Sob o Programa de Privatizações - PROPRIV, na venda ou gestão dos activos do Estado, está a ser revitalizado o sector industrial. Faço menção às fábricas têxteis de Benguela e do Dondo, cuja matéria-prima principal é o algodão. Matéria-prima que já teve anos dourados no nosso país, quando não havia tal dependência da "maldição Holandesa", o petróleo.

Com a retoma da produção do algodão, vêem-se oportunidades de mercado para, sem perdas de tempo, agirmos com foco, dinamizando e celebrando contratos futuros entre as fábricas têxteis e os potenciais produtores de algodão. E que possa servir como garantia na concessão de financiamento, junto das instituições financeiras e reforçada operacionalmente por um contrato de Escrow Account (assinada por três intervenientes: instituição financeira, produtor e as unidades fabris), onde serão canalizadas as receitas resultantes das vendas da matéria-prima às indústria têxtil (conta com características credoras), sendo debitada somente para cobrir o serviço da dívida, ou seja, as prestações a serem pagas a favor da instituição financeira financiadora.

*Economista e docente universitário

(Leia o artigo integral na edição 619 do Expansão, de sexta-feira, dia 9 de Abril de 2021, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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