Contraditório

Contraditório

O jornalismo exige sempre contraditório. E parece contraditório que uma das televisões públicas, que raramente faz contraditório, tenha acusado o Expansão de não fazer contraditório, não fazendo eles próprios o contraditório. Porque se o tivessem feito, nós teríamos explicado que tínhamos feito o contraditório, tínhamos enviado as questões ao GPL, mas eles não responderam e teriam percebido que eles estavam a ser utilizados para passar esse mesmo contraditório, fora do tempo e fora do local.

Na verdade, também é contraditório que leiam contraditórios de notícias que nunca deram, sempre de entidades públicas ou governamentais, e como se prova hoje, os contratos tinham mesmo irregularidades e só foram entregues na quarta-feira no Serviço Nacional de Contratação Pública.

Mas numa coisa estamos de acordo, quando a senhora apresentadora disse a um dos convidados "nós conhecemos o tipo de jornalismo que o Expansão faz". Nisso ela tem razão, têm eles e têm os milhares de angolanos que nos lêem. Este caminho que começou a ser trilhado há muitos anos é hoje uma marca de qualidade, de isenção e de verdade. Nunca iremos publicar sem questionar, nunca iremos contar sem fazer o contraditório, nunca iremos fazer assassinos de carácter, misturando as pessoas com as acções. Sabemos em que meio estamos, a altura que estamos a viver, mas não vamos mudar a nossa forma de fazer. Não temos agendas nem aceitamos fatos à medida, só para ir para o quadro de honra dos mais bem comportados da aula. Mesmo que isso represente rebuçados e bombons no final do ano. Não somos assim.

Aos leitores quero garantir que os nossos compromissos se mantêm. Primeiro com o País, e não é fazendo um jornalismo bajulador e "mentiroso", criando uma realidade virtual onde nos possamos sentir bem, que se resolvem os problemas de Angola. Mas, por vezes, é necessário guardar uma informação para que isso não ponha em causa algo que é decisivo e fundamental para o País, para todos. O segundo é com os nossos valores e as nossas convicções. Não somos actores de teatro, somos jornalistas. Não subimos ao palco para fazer um noticiário, não encarnamos uma personagem para dizer ou escrever tudo aquilo que nos põem no guião. Escrevemos com convicção, por vezes erramos, mas é aquilo pensamos. Não temos um discurso para o público e outro para os amigos.

E, em terceiro, o compromisso é com o nosso jornal. Do trabalho de toda a equipa resulta uma edição que queremos sempre melhor. Temos orgulho no que fazemos, mas também reconhecemos as nossas limitações e nossos erros. Não desmoralizamos quando nos acham diferentes. Sentimos que estamos no caminho certo. Somos Expansão!

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