Postos de trabalho irão crescer 3,7% ao ano até 2024, mas produtividade continua a baixar

Postos de trabalho irão crescer 3,7% ao ano até 2024, mas produtividade continua a baixar
Foto: César Magalhães

A criação de emprego em Angola deverá manter-se com uma taxa média anual de crescimento de 3,7% até 2024, mas o aumento "contínuo" do número de postos de trabalho não se traduz em maior produtividade, conclui um estudo da Ernst & Young (EY).

O relatório analisa o mercado de trabalho angolano e identifica as profissões nas áreas de agricultura e saúde, e operadores de máquinas, como as que mais vão ser necessárias nos próximos quatro anos.

À excepção do sector da Energia e Águas, que registou um aumento médio de produtividade de 6% desde 2012, o estudo prevê que a produtividade vai baixar nos próximos 4 anos, com particular incidência nos transportes e armazenamento e no sector de alojamentos e restauração, com taxas de crescimento negativas de 7% ao ano. A taxa é calculada com base no quociente entre o Valor Acrescentado Bruto (VAB) e o emprego gerado em cada sector.

Os elevados níveis de informalidade justificam em parte a baixa produtividade, já que limitam e, por vezes, distorcem a análise dos indicadores estatísticos. O processo de formalização da economia pode "provocar enviesamentos em determinadas estatísticas, como a produtividade do trabalho, ao sugerir uma deterioração do desempenho, que não corresponde à realidade", explica Jorge Moreira, manager em Strategy and Transactions Services da EY Angola.

Outro dos factores é a "elevada dependência do comércio externo", em particular de produtos petrolíferos, o que torna o país vulnerável a choques externos no mercado petrolífero, com impacto directo no valor gerado.

Também pesam na baixa produtividade as "carências" em algumas infraestruturas de apoio ao desenvolvimento económico e social, como o "limitado acesso a electricidade, a insuficiente qualidade da infraestrutura aérea, portuária, ferroviária e rodoviária angolana e as fragilidades observadas no sector das TIC (tecnologias de informação e comunicação)". Soma-se o "difícil e dispendioso acesso às telecomunicações e a reduzida taxa de penetração do telemóvel".

O estudo identifica ainda "lacunas" em termos "de skills e competências" oferecidas e procuradas, no mercado de trabalho, bem como a capacidade do sistema de educação para formar profissionais, nomeadamente para "gerar candidatos com as competências relevantes para o sector empresarial".

Jorge Moreira reconhece, no entanto, que o aumento da escolaridade dos angolanos e "melhorias implementadas" no sistema de educação e de saúde "poderão estar associadas a futuros ganhos de produtividade".

Pandemia pressiona digitalização

O Estudo sobre o Mercado de Trabalho e Actividades Económicas foi realizado no âmbito das actividades do RETFOP - Revitalização do Ensino Técnico e Profissional em Angola, projecto financiado pela União Europeia e que está a ser implementado pelo Instituto Camões e pela Expertise France, com actividades previstas nas províncias de Benguela, Huambo, Huíla, Luanda, Moxico e Uíge.

(Leia o artigo integral na edição 622 do Expansão, de sexta-feira, dia 30 de Abril de 2021, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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