Artes, cultura e educação para o ambiente valem mais de 22 milhões Kz/mês

Artes, cultura e educação para o ambiente valem mais de 22 milhões Kz/mês
Foto: Lídia Onde

Todos os dias, pela manhã, Nicolas Couto, 11 anos, sai de casa para a Fundação Arte e Cultura onde tem as aulas de bateria, teatro e pintura. Diz, convicto, que aprende sempre algo de novo, até já frequentou as aulas de canto e línguas.

"Gosto de estar aqui porque aprendo várias coisas e ajuda-me a crescer", conta o menino enquanto dá cor aos desenhos na aula de pintura, no pátio da casa do centro cultural, onde se praticam também aulas de reciclagem.

Com este processo de aprendizagem, Nicolas ouve de sua mãe que pode ser o que quiser, até mesmo Presidente da República e por isso mesmo, o menino já anotou as suas prioridades caso este sonho se torne realidade.

"Daria casa a todo mundo, baixava o preço dos alimentos e faria um decreto para estabelecer a paz com todos os países", projecta Nicolas, que sabe da importância de ter boas notas na escola, o passe que lhe dá acesso à formação extra-curricular, que a fundação desenvolve.

Assim como Nicolas Couto existem mais de 400 pessoas, entre crianças e adultos, que aprendem e desenvolvem actividades e competências na fundação que é o braço da responsabilidade social do grupo Mitrelli. Jocelina Cristóvão, de 12 anos, também procura aprender no projecto que vive, desde 2006, paredes-meias com uma comunidade piscatória, mais ou menos a meio da Ilha de Luanda.

A moradora que é por assim dizer vizinha da instituição, descobriu as actividades ali realizadas há dois anos. Faz teatro e já aprendeu conceitos de sustentabilidade, faz porta-lápis, vasos de cimento, decora lapiseiras e garrafas, tigelas e enfeites com jornais nas aulas de reciclagem. Sobre o que quer ser no futuro, ainda existem muitas dúvidas, mas Jocelina acredita que quando chegar a hora, fará a melhor escolha. "Ainda estou a descobrir muitas coisas", disse.

Manter o projecto de pé

A Fundação Arte e Cultura precisa todos os meses de mais de 22 milhões Kz para manter a instituição funcional e a cumprir os programas e as actividades destinadas a todas as idades, sendo que tem em mãos a responsabilidade de contribuir para a integração social de crianças, jovens e mulheres, algunas em situação de risco e vulnerabilidade.

A directora-geral, Naama Margalit lembra que este é um valor médio, porque há meses que precisam de menos e outros de mais para as despesas, sobretudo quando têm actividades extras. E para não depender 100% do patrono, a Fundação Arte e Cultura optou por desenvolver projectos sustentáveis com a abertura das salas de costura e carpintaria e foi aqui que Sebastião André encontrou o seu posto de trabalho fixo.

O carpinteiro, de 43 anos, começou como formador, e pouco tempo depois tinha uma equipa a produzir os móveis da fundação como mesas, cadeiras e sofás feitos de paletes doados por parceiros. Agora já produzem por encomenda. "É divertido podermos transformar coisas que depois são usadas por outras pessoas", admite.

(Leia o artigo integral na edição 623 do Expansão, de sexta-feira, dia 7 de Maio de 2021, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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