O combate à corrupção não perdeu o sentido, mas corre o risco de perder fôlego e cair no descrédito"

O combate à corrupção não perdeu o sentido, mas corre o risco de perder fôlego e cair no descrédito"
Foto: Lídia Onde

O coordenador do Observatório Político e Social de Angola defende a implementação de um modelo económico e governativo participativo, com instituições fortes e capazes de fiscalizar a execução das acções dos servidores públicos para o desenvolvimento sustentável do País.

Três anos passaram desde que o Governo de João Lourenço assumiu o combate à corrupção como bandeira. Que avaliação faz do processo?

É um programa que tem altos e baixos. Nos últimos três anos, temos tido casos de angolanos julgados, condenados. Outros estão a ser investigados. Antes de 2017, quase que não tivemos estas situações. Isto prova algum movimento. Mas é importante que se diga também que não estamos tão longe como se esperava. E o caso Lussaty também vem explicar isso. Estamos a falar de dinheiros retirados alegadamente com a conivência de círculos de pessoas com importantes funções à frente do Estado. Muitos deles até encarregues de auxiliar este combate à corrupção.

O processo está a perder fulgor?

O combate à corrupção não perdeu o sentido, que é o de moralizar a sociedade. Mas corre o risco, com episódios como este do major, e outros envolvendo figuras próximas ao Presidente da República, de ir perdendo fôlego e cair no descrédito. O combate à corrupção foi posto como sendo uma agenda presidencial. Obviamente que não se retira o mérito ao Presidente da República, mas provavelmente não está a ser dada a devida atenção às reivindicações de selectividade do processo.

Porquê?

Quando digo dar atenção é vir a público justificar porque é que não está a ser selectivo. O combate à corrupção não deve ser uma agenda do Presidente da República. É altura desta autoria ser partilhada com os cidadãos. A ideia que a situação era inaceitável não emergiu em 2017. No passado já existiam denúncias e a maioria era negada pelos servidores públicos. Hoje o que mais incómoda nesta luta é o silêncio ensurdecedor daquelas vozes que diziam que Angola não tinha casos de corrupção. E muitas destas vozes, de certa forma, deveriam, pelo menos do ponto de vista moral, sentir-se corresponsáveis por esta situação.

(Leia o artigo integral na edição 627 do Expansão, de sexta-feira, dia 04 de Junho de 2021, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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