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Empresas & Mercados

Acordo entre universidades e grupo de empresas "encalhou"

MILHARES DE ESTUDANTES TERMINAM A FORMAÇÃO SEM ESTÁGIO PROFISSIONAL

O protocolo assinado entre a AIESPA e o Grupo Técnico Empresarial (GTE), que já devia estar em implementação, visa inserir técnicos nacionais no mercado de trabalho e na criação de estágios profissionais nas empresas que compõem o GTE.

A Associação das Instituições do Ensino Superior Privadas de Angola (AIESPA) e o Grupo Técnico Empresarial (GTE) assinaram um protocolo no ano passado para o fomento dos estágios profissionais e da empregabilidade mas o acordo ainda não está em execução.

Enquanto o acordo não avança, as universidades procuram outras soluções para encontrar empresas abertas a estágios profissionais, sendo um problema que afecta a maioria dos estudantes universitários.

Um exemplo claro deste esforço é o acordo que acabou de acontecer entre o MCA Group e a Universidade Katyavala Bwila de Benguela para contratar estudantes para estágios remunerados, para o projecto de energia solar que está a ser implementado naquela região. Esta parceria, com a duração de um ano, vai permitir a integração profissional de jovens recém-licenciados por períodos de seis meses, em que cada estagiário terá a oportunidade de adquirir conhecimentos práticos em áreas específicas no âmbito da energia solar e de parques fotovoltaicos, orientado por engenheiros experientes dos quais receberão ferramentas e metodologias de trabalho essenciais para o seu percurso profissional.

Os estudantes do curso de economia do Instituto Superior Politécnico de Tecnologias e Ciências (ISPTEC) vão também estagiar na Comissão do Mercado de Capitais (CMC) para aquisição da componente prática. Já a empresa do ramo petrolífero, Seadrill, promoveu também um concurso com o objectivo de seleccionar estudantes com potencial em diversas áreas, acabando por seleccionar dois alunos do curso de engenharia de produção industrial e mecânica do ISPTEC para treinamento e capacitação em ambiente offshore, perfuração e engenharia de SubSea.

Apesar destes protocolos para a criação de estágios, vários académicos defendem que se deve apostar mais nesta vertente porque muitos alunos terminam a formação superior sem a realização de estágios profissionais e a falta desta experiência tem um peso significativo na busca pelo primeiro emprego. "O estágio profissional em Angola é uma questão embrionária. Cada universidade vai fazendo o que pode", explica Laurindo Viagem.

Quanto ao acordo com o GTE, Laurindo Viagem, porta- -voz da AIESPA, explicou que estava para ser implementado no ano passado. Entretanto, pede-se a presença do Governo porque noutros países o estágio profissional é facilitado pelo facto de as empresas acederem a benefícios fiscais. Laurindo Viagem sublinhou que "só falta" implementar os acordos com o GTE para que os estudantes possam beneficiar da oportunidade.

O GTE inclui mais de 20 associações empresariais. "Nós não temos informações de quantas universidades têm estudantes a estagiar e quantos foram empregados porque as informações estão dispersas, ou seja, não temos estatísticas", explica o porta-voz da AIESPA. O também secretário-geral da Universidade Católica de Angola (UCAN) recorda que a produção de estatística não é só um problema do ensino mas de todas as áreas.

Angola tem sido criticada na União Africana por ser um dos piores países em termos de fornecimento de dados. Para o docente do curso de gestão empresarial da Universidade Técnica de Angola, Carlos Pinto, o currículo é composto por duas componentes: a teórica e a prática, e o estágio faz parte da vertente prática, o que acaba por prejudicar os estudante. "O estágio permite a obtenção de experiência profissional e abre portas para o mercado de trabalho. Quando não se olha para estes aspectos não temos uma formação completa e no final do dia queremos estudantes bem formados", conclui Carlos Pinto.

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