Startup cria "WhatsApp" made in Angola que não gasta saldo de dados
A versão de teste do Ping Chat já está disponível, mas oficialmente vai ser lançado em Outubro depois de três anos e mais 400 mil USD.
Ping, como nas notificações de mensagens recebidas, é a nova app da startup angolana WiConnect, que se assemelha ao WhatsApp, com a diferença de que, mesmo não tendo saldo de dados, é possível mandar um "ping" para os mais próximos. Já está disponível desde o mês passado nas principais lojas de aplicativos mobile e também na versão web, mas vai ser, oficialmente, lançado em Outubro, após 3 anos de desenvolvimento e mais de 400 mil USD investidos.
O aplicativo de mensagens instantâneas Ping Chat já conta com 800 utilizadores em quatro semanas de operação e foi arquitectado para romper as barreiras estruturais do mercado nacional, onde os pacotes de dados ainda são caros se comparados com o rendimento das famílias. Este contexto também explica os níveis baixos de penetração de internet de banda larga móvel, com apenas 48 em cada 100 habitantes conectados à internet, e mais de 28,4 milhões de utilizadores de telefonia móvel, segundo relatório estatístico do Instituto Nacional das Comunicações (Inacom) de 2025.
Assim, a WiConnect desenhou uma aplicação de mensagens cujo tráfego não é tarifado ou zero-rating (o consumo de dados de internet que não é descontado na factura do cliente). "Não consome saldo de dados, ao abrigo de acordos com operadores nacionais, e o utilizador acumula pontos ao ver publicidade, usando depois esses pontos para enviar mensagens", respondeu ao Expansão Paulo Araújo, director-geral da startup.
O acordo, além de envolver as operadoras, tem o apoio institucional do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINT TICS), do Infosi e do Inapem. "O Ping Chat é desenvolvido, gerido e alojado em território nacional. Não porque uma máquina em Luanda seja tecnicamente superior, mas porque a jurisdição sobre os dados de comunicação de um país é um activo estratégico - e hoje quase todo o registo digital da vida social está sujeito a leis que Angola não escreveu", referiu.
O modelo de negócio é como em radiodifusão: ninguém paga para ouvir; quem financia a transmissão são os anunciantes que, por sua vez, "compram" a atenção de quem está do outro lado, ao que o co-fundador da app apelida de "economia de difusão". "Do lado das marcas, cria-se inventário publicitário que alcança um público até aqui inalcançável, pago em moeda nacional", disse.
Em termos práticos, o utilizador carrega a conta com 20 pings (mensagens) por cada publicidade de 20 segundos, sendo que cada mensagem enviada vale um ping. Para isso, basta ligar a rede de dados, mesmo sem internet, para começar a enviar mensagens de texto, através de um protocolo que a startup tem com as duas principais operadoras de telefonia móvel do país (Unitel e Africell).
Para Paulo Araújo, director- -geral da WiConnect, todo o produto carrega as premissas do mercado onde foi desenhado. As plataformas globais foram optimizadas para um utilizador mediano com dados abundantes, aparelhos mais recentes e outros hábitos de consumo.
"O Ping Chat é desenvolvido, gerido e alojado em território nacional, em linha com o Livro Branco das Comunicações Electrónicas. Não porque uma máquina em Luanda seja tecnicamente superior, mas porque a jurisdição sobre os dados de comunicação de um país é um activo estratégico - e hoje quase todo o registo digital da vida social angolana está sujeito a leis que Angola não escreveu", referiu.
A app, que foi projectada para estar nos smartphones mais básicos, pretende evoluir para o envio de áudios, imagens, vídeos e outros ficheiros, como nos aplicativos de mensagens instantâneas da Meta (WhatsApp) ou da app russa Telegram.











