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Angola

Angola vai a Milão "chamar investidores" para o País

Expo Milano 2015

Durante 180 dias, o País, a sua cultura, a sua gastronomia, as suas gentes, mas também as suas oportunidades, vão estar 'expostos' ao mundo na Expo Milano 2015. O pavilhão vai ser o maior de sempre em eventos do género.

"Call investors". Ou, em português, "Chamar investidores" é a principal mensagem que Angola quer fazer passar, a partir de 1 de Maio, ao longo dos 180 dias que vai durar a Expo Milano 2015. Albina Assis, comissária-geral de Angola no evento, não hesita em assumir que este é o maior desafio da participação angolana naquela que é sua oitava presença em feiras internacionais. Atrair investimento, por via da divulgação do potencial do País - da indústria ao turismo, da agricultura aos serviços -, tem sido, aliás, um ponto em comum nas anteriores feiras por onde Angola passou.

"Este ano, esta mensagem tem de ser ainda mais acutilante. Pelo momento que vivemos, há uma necessidade intrínseca de dizer aos investidores para virem para Angola, porque somos um centro de negócios aberto ao mundo", disse ao Expansão, à margem da apresentação da presença angolana em Milão, no final da semana passada. De acordo com a responsável, que tem comissariado as anteriores participações angolanas em eventos deste tipo, as expos têm dado frutos, quer pelo que mostram do País, quer por proporcionarem encontros entre empresários nacionais e de outros países.

"Já fizemos, em Milão, um encontro de B2B [business-to-business], para informar sobre os investimentos que estamos a fazer", explica a comissária, colocando a agricultura como um dos mais importantes - e com mais potencial, num país com 35 milhões de metros quadrados de solos aráveis, dos quais apenas um quinto está a ser aproveitado. "Há aqui muitas oportunidades", sublinha a ex-ministra dos Petróleos, que quer também promover o turismo em Angola.

"Temos de ser um país de turismo, e temos todas as condições para isso", diz, explicando que esta mensagem será passada logo no acesso à entrada do Pavilhão de Angola na exposição, onde serão expostas as Sete Maravilhas do País. Albina Assis reconhece que a crise "exigiu algum esforço de organização adicional" na preparação desta presença angolana, até porque não há, praticamente, ajuda de empresas nacionais.

Na Expo Milano 2015, Angola conta apenas com o apoio da TAAG. Apesar da "contenção", o País vai ter neste evento a sua maior participação de sempre em feiras internacionais. O pavilhão, com cerca de dois mil metros quadrados, é o maior de sempre, e foi feito a custo controlado.

"Não podemos apresentar qualquer coisa, porque já somos respeitados nestes eventos, mas não podemos esquecer que o País tem carências", afirma a comissária. Contas feitas, o pavilhão angolano terá custado pouco mais de seis milhões USD, dado que o do Brasil, que orçou em cerca de 20 milhões USD, terá sido 220% mais caro. A contenção não se limitou às obras, mas também aos eventos e, sobretudo, aos artistas convidados, explicou Kayaya Júnior, director de eventos e espectáculos do pavilhão de Angola.

"O momento de crise não nos permite levar grandes cabeças-de-cartaz, mas levamos grandes artistas", disse o responsável, que é também o principal 'animador' de uma aplicação desenvolvida para tablets onde é possível acompanhar a presença angolana na Expo Milano 2015 e saber o que vai e está a acontecer, em tempo real.

Ainda assim, haverá três a quatro espectáculos por dia no pavilhão angolano e serão promovidas cinco caravanas temáticas Luanda-Milão-Luanda, entre Maio e Outubro. No pavilhão, não vai faltar animação para crianças, com a coordenação a cargo de Alice Berenguel. Haverá um jardim infantil, com um espaço reservado para actividades ligadas à agricultura.

Também haverá uma atenção especial à mulher, incluindo com projecções no interior. Pelo papel que têm na sociedade angolana, mas também na ligação ao subtema que Angola escolheu para a sua presença: Educação e Cultura: Educar para Inovar. O tema da Expo Milano é, recorde-se, Alimentar o Planeta.

"Era o subtema que mais dizia respeito à nossa realidade. A nossa alimentação tem muito de cultura, e a nossa cultura leva-nos a uma determinada alimentação", disse Albina Assis, destacando a diversidade da gastronomia angolana, 'unida' por um elemento comum: O funge."

A diversidade alimentar será exposta no pavilhão, projectado pelos arquitectos António Gameiro e Paula Nascimento, incluindo num dos dois restaurantes que o espaço vai acolher.

A viagem está prestes a começar, e a visita ao pavilhão angolana, promete Ditutala Lucas Simão, comissário-geral adjunto, será uma "experiência memorável do ponto de vista pedagógico, lúdico e científico". Que comece a festa, então. Angola volta a estar, por 180 dias, fora de casa. Angola quer trazer muitos amigos.

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