Endiama vai reactivar exploração de diamantes em minas fechadas
A empresa estatal angolana de exploração de diamantes (Endiama) vai retomar a actividade em quatro minas até aqui paralisadas, após comprovação de se tratar de kimberlitos com reservas confirmadas, escreve o Jornal de Angola na sua edição de hoje.
O diário angolano, que cita o presidente do Conselho de Administração da Endiama, Carlos Sumbula, refere tratar-se das minas de Shiri, Sangamina, Camafuca e Camazambo.
Carlos Sumbula fez o anúncio na cerimónia que assinalou o 33.º aniversário da Endiama e acrescentou que a reactivação da exploração se deve ao interesse de investidores e ainda ao crescente interesse do mercado internacional do sector.
"Actualmente o mercado está suficientemente alto e estamos na fase de negociarmos com os investidores para que a exploração destes kimberlitos tenha início nos próximos dois anos", disse.
Na ocasião, Carlos Sumbula referiu-se ao trabalho desenvolvido com o grupo russo Alrosa, dizendo que os estudos feitos permitem concluir que apenas 10 por cento dos diamantes de aluvião extraídos provêm de kimberlitos já identificados.
O desafio agora é descobrir os restantes 90 por cento de kimberlitos, acentuou.
Alguns estudos geológicos apontam para um potencial diamantífero em Angola de mil milhões de quilates.
Em 2012, a produção de diamantes em Angola foi de oito milhões de quilates, posicionado o país em quarto lugar, entre os maiores produtores do mundo, com os Emirados Árabes Unidos, China, Israel e Bélgica a serem os maiores clientes dos diamantes angolanos.
Na actividade extractiva, Carlos Sumbula salientou que estão já a ser reactivadas as minas paralisadas de Luarica, Fucaúma e Tchege, na Lunda-Sul, enquanto na exploração artesanal, que disse decorrer a "bom ritmo", recentemente foram realizadas visitas de acompanhamento às províncias da Lunda Norte e Lunda Sul, Moxico e Bié.
"Com a experiência do Bié, pensamos fazer algumas modificações e introduzir a actividade semi-industrial. Mas esta actividade ainda está em estudo, porque o trabalho artesanal repousa em áreas de difícil acesso e os operadores têm dificuldade em chegar até ao minério", explicou.
O presidente do Conselho de Administração da Endiama salientou ainda o facto de a empresa ter assumido a vice-presidência do Processo de Kimberley (PK).
Esta iniciativa foi criada em maio de 2000 a partir de um processo liderado pela África do Sul, que juntou mais 30 países produtores.
Actualmente, o Processo de Kimberley integra 75 países envolvidos na produção, exportação, importação e comércio de diamantes.
O objectivo é evitar que os diamantes brutos, explorados ou comercializados por grupos armados sirvam para financiar conflitos armados para derrubar governos legítimos e, ao mesmo tempo, proteger a indústria legal de diamantes, importante no desenvolvimento económico e social de muitos países.
Angola situa-se entre os cinco maiores produtores de diamantes do mundo em valor e entre os dez maiores produtores em quantidade.
A produção de diamantes em 2012 em Angola foi de 8 milhões de quilates, o que gerou uma receita de 865 milhões de euros.
Lusa / Expansão











