Orgulhosos (talvez) lutaremos

Orgulhosos (talvez) lutaremos
Foto: D.R.

Novo ano, velhos hábitos! Retoma-se o calendário de comemorações anuais com pendor patriótico que, em vários momentos do ano, levamos a mão direita ao coração ou mantemos as duas em sentido e com um olhar de nostalgia entoamos o hino nacional "Angola, Avante!" letra de Manuel Rui Monteiro e composição de Rui Mingas.

Entre os versos, escutamos com vaidade "Honramos o passado e a nossa história, construindo do trabalho um homem novo" soando a ideia de que se assina um contrato de promessa verbal em alta voz. Aquele que o entoou compromete-se a contribuir para o desenvolvimento do país, pelas mudanças significativas e que irá crescer à medida que trabalha.

Aos olhos do RH, esta é uma das grandes preocupações na fase de recrutamento de pessoal: A falta de comprometimento dos técnicos angolanos após o período de adaptação. Durante a entrevista, os candidatos fazem uma representação emocionante de que irão vestir a camisola da instituição, vão sentir-se como parte dos resultados e que dia e noite farão o melhor que sabem fazer para responder positivamente às expectativas do desafio.

No entretanto, o colaborador, após compreender a dinâmica da função e pensar que já conquistou um espaço no seu departamento, relaxa nas ideias; permite-se faltar porque conhece os seus direitos; trabalha o mínimo necessário; não apresenta sugestões de melhoria; passa horas na casa de banho; usa escrupulosamente o horário de almoço; é o último a chegar após o período de tolerância e o primeiro a apresentar-se ao biométrico; permite-se tagarelar entre corredores com outros colegas; olha para a instituição apenas como mais uma fonte de rendimento e mantém-se nela enquanto busca outra oportunidade de emprego; obedece às chefias mas não as respeita como tal.

É bem verdade que os chefes angolanos são por defeito, mimosos, gostam de ser acarinhados e nem sempre valorizam os técnicos que trabalham arduamente, vestindo a camisola, assumindo projectos de sucesso na instituição. Também é certo que nem toda a equipa de Recursos Humanos se preocupa em recompensar e reconhecer os técnicos, todavia, será por isso que o técnico deve deixar de "construir do trabalho um homem novo"?

Numa perspectiva macro e pensando em Angola hipoteticamente como uma empresa, analisemos o comprometimento organizacional como um factor de sucesso empresarial.

O comprometimento entre outros significados importa-nos a definição de promessa recíproca e, como tal, dentro do âmbito laboral, este comprometimento indica que os colaboradores estão engajados em alcançar os objectivos empresariais e dedicam-se a produzir com qualidade cada tarefa que lhe é imposta, usando as suas faculdades, trabalhando em equipa para um bem comum.

Acrescenta-se que o comprometimento é mais profundo. O comprometimento organizacional indica que os colaboradores abraçam a cultura da instituição, aceitam os valores institucionais como seus, a missão da empresa como sua e a visão estratégica também como a sua própria visão. O engajamento eleva os padrões medianos e incute uma motivação extra no contributo para o alcance dos resultados, sentindo-se parte do fracasso e do sucesso.

O comprometimento organizacional convida o colaborador a ser pontual, assíduo, cortês, focado nas soluções, buscar ideias novas, disponível para aprender, consciente do seu crescimento profissional, empático, habilidoso, competente, optimista, resiliente e agradecido.

*Gestora de recursos humanos e professora universitária

(Leia o artigo integral na edição 607 do Expansão, de sexta-feira, dia 15 de Janeiro de 2021, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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