Dívida de milhões USD afecta a gestão e deixa o Kero sem liquidez

Dívida de milhões USD afecta a gestão e deixa o Kero sem liquidez
Foto: César Magalhães

O quadro que o Kero apresenta, com prateleiras vazias e pouca diversidade de produtos, é consequência da dívida de milhões USD da empresa à banca. Fonte governamental contactada pelo Expansão diz que, há dois anos que o supermercado do grupo Zahara, está em desequilíbrio financeiro, resultado da desindexação dos contratos de financiamento junto da banca, que fez disparar o serviço da dívida.

Ou seja, há três anos, quando foram desindexados os créditos, dispararam as taxas de juros, o que fez com que o serviço da dívida hoje "absorva" toda a liquidez, a ponto de tornar os resultados da empresa negativos.

Sem liquidez, o Kero não tem como pagar financiamentos, impossibilitando-o de contrair novos empréstimos. Deste modo, a empresa não consegue ter acesso ao Kwanza e, consequentemente, não consegue aceder ao Banco Nacional de Angola (BNA) para adquirir divisas para comprar mercadorias, relata a fonte.

Para contornar o actual quadro, a fonte do Expansão sugere que a empresa deve procurar "financiamento junto de bancos sérios a taxas competitivas". Um exercício que, num passado recente, tinha a sua complexidade, uma vez que "o Kero era detido por Pessoas Politicamente Expostas (PPE)". Portanto, "nunca conseguiriam ir buscar financiamento sério com risco elevado, ou seja, tinham dificuldade em obter esse financiamento, e o risco concretizou-se", destaca.

Uma outra solução é o Estado usar o seu poder para negociar melhores taxas com os dois maiores bancos do mercado nacional, com os quais o Kero tem parcerias, sendo que actualmente o supermercado tem dívidas com juros de 17% por ano. Tendo em conta que as sociedades comerciais não são solidárias, a dívida contraída por uma sociedade não é transmissível aos accionistas, o que inviabiliza que o Estado assuma a dívida acumulada do grupo Zahara.

O problema financeiro não é uma questão isolada do supermercado, mas abrange todas as empresas do grupo, nomeadamente o Zahara Comércio, a Zahara Imobiliária ,que abarca o
centro comercial Xyami e o Cinemax, a Zahara Serviços, assim como Zahara Logística e Zahara Indústria, que tem padarias e pastelarias. Em 2016, já com o peso da crise, o grupo reduziu em quase 40% os trabalhadores.

O grupo Zahara foi constituído em 2007, com o lançamento da empresa Zahara Comércio (Kero), tendo como principal objectivo a criação e desenvolvimento de uma cadeia de retalho alimentar a operar nos formatos de hipermercado e supermercado.

(Leia o artigo integral na edição 612 do Expansão, de sexta-feira, dia 19 de Fevereiro de 2021, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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