Sem investimentos Fitch prevê queda de 19,3% na produção de petróleo até ao fim da década em Angola

Sem investimentos Fitch prevê queda de 19,3% na produção de petróleo até ao fim da década em Angola
Foto: D.R.

A produção de petróleo em Angola pode passar dos actuais 1,277 milhões de barris por dia para 1,030 milhões de barris diários, até ao final desta década, caso não se façam investimentos. É uma queda de 19,3%, alerta a Fitch aos investidores.

O problema do País não são as reservas de petróleo que são em quantidade substancial, mas sim o facto de o potencial estar em águas profundas e ultraprofundas e a exploração requer avultados investimentos, cenário em contraciclo com a mudança de estratégias das maiores companhias, que estão a fugir dos projectos de alto risco, depois do colapso do petróleo em 2020 e do declínio da procura provocada pela pandemia.

A previsão a dez anos não invalida que a Fitch aponte para um aumento da produção para este e para o próximo ano, na ordem dos 2% e 4,2%, respetivamente. Isto apesar de em 2020, Angola ter registado uma redução de 139 mil barris por dia face a 2019, segundo dados da OPEP.

"Antevemos que a produção de petróleo em Angola decline a longo prazo, com a produção de petróleo, gás natural liquefeito e outros líquidos a contrair-se, em média, 2,2% ao ano até ao final da nossa previsão a dez anos, chegando a 1,03 milhões de barris diários em 2030", refere a consultora na análise ao sector petrolífero e a que a Lusa teve acesso.

Em 2020, a produção média de Angola foi de 1,277 milhões de barris por dia, sendo que a Fitch Solutions - dos mesmos donos da Fitch Ratings -, prevê para 2030 uma produção de 1,030 milhões de barris diários, o que representa uma queda de 19,3%.

"Desde 2018, as reformas no gás e petróleo abrandaram e as companhias precisam agora de sinais concretos de mudança para desbloquearam investimentos substanciais para as actividades de busca e exploração de poços de petróleo", refere o relatório enviado aos investidores clientes da Fitch.

Angola é o segundo maior produtor africano, depois de Nigéria, e "tem reservas substanciais de petróleo, mas o maior potencial de exploração está nas águas profundas e ultraprofundas, o que requer a disponibilização de investimentos de alto custo e com elevado risco", salienta a Fitch, que salvaguarda no entanto que com o ambiente actual de preços mais baixos há projectos que vão sofrer atrasos e outros vão mesmo ser abandonados.

A Fitch Solutions adianta que o sector pode também vir a retrair-se ainda mais pelo facto de algumas companhias estarem a priorizar "projetos de baixo carbono".

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