As causas dos ciclos inflacionários (2009 a 2021)

As causas dos ciclos inflacionários (2009 a 2021)
Foto: D.R.

As taxas de crescimento dos preços da economia saíram da marca dos dois dígitos em períodos que vão entre janeiro de 2009 a julho de 2012 (13,35% em média) para atingirem a marca de um dígito entre agosto de 2012 e junho de 2015 (8,31% em média).

De lá até então, a economia nunca mais registou níveis de inflação abaixo dos dois dígitos.

Neste período de go up go down a inflação atingiu o valor mais baixo (6,89%) em junho de 2014 e atingiu o valor mais alto (41,95%) em dezembro de 2016.

Antes da primeira recessão, isto é, do período de 2009 a 2015, a taxa média de inflação mensal foi de 0,89%. Em termos homólogos a taxa média de inflação se situou próxima dos 11%, registando um valor acumulado de 75%. De acordo aos critérios de definição de inflação, dir-se-ia que durante àquele período o nível de preços cresceu controladamente, não impondo grande ónus a sociedade.

A partir de 2016 houve inflexão na curva da inflação e actualmente os preços têm subido 1,92% em média, isto numa base mensal, e do ponto de vista homólogo a média é de 25%, perfazendo uma taxa acumulada de 119%. De acordo com exposto acima, em 5 anos (2016 a 2020) os preços cresceram quase duas vezes mais do que nos últimos 7 anos (2009 a 2015).

Depois de ter atingido o pico, houve desinflação em cerca de 24,05 pontos percentuais para 17,90%. No entanto, em março de 2020, houve um novo ponto de inflexão, isto é, aceleração da inflação que continua até a presente data, com a taxa de inflação homóloga a fixar-se nos 26,39%.

Os determinantes da inflação na economia nacional

Podemos citar cinco variáveis que se constituem como determinantes da inflação, dentre eles massa monetária, a taxa de câmbio, inflação importada, inércia inflacionária e factores temporais (impostos, choques climáticos, barreiras à mobilidade...).

Moeda em poder do público (massa monetária restrita)

A quantidade de moeda em poder do público atinge um valor estável nos primeiros 9 meses de cada ano, com uma taxa média de crescimento de 0,9% para nos últimos três meses crescer em média, 7%. Desde modo, há aqui um imput para o BNA tentar monitorar com mais rigidez os níveis de liquidez nos finais do ano. Isso explica, em parte, as pressões inflacionárias que ocorrem nos últimos três meses de cada ano. As taxas médias de inflação dos primeiros 9 meses estão avaliadas em cerca de 1,30%, enquanto para os três últimos meses crescem, em média, 1,36%. Neste caso há uma tendência de maiores pressões inflacionárias nos finais do ano, que a meu ver é explicada pelas fortes pressões que ocorrem na procura por moeda.

Ceteris paribus, se o BNA quiser reduzir pressões inflacionárias que tem ocorrido nos finais do ano, deverá fazer um esforço maior de contração monetária.

Taxa de câmbio

A par da inércia, desde 2018 a taxa de câmbio tem sido uma das principais causas do aumento dos preços, se movendo na mesma direcção da inflação.

*Economista e Docente Universitário

(Leia o artigo integral na edição 617 do Expansão, de sexta-feira, dia 26 de Março de 2021, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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