A industrialização de que tanto se fala, mas que vai ainda tardar

A industrialização de que tanto se fala, mas que vai ainda tardar

O desenvolvimento económico sustentável caracteriza-se, entre outros aspectos, pelas seguintes tendências: elevadas taxas de crescimento do rendimento por habitante, índices altos de variação da produtividade total dos factores de produção, coeficientes significativos de transformação estrutural da economia, importantes transformações sociais e ideológicas e abertura da economia.

Um país que apresente, por exemplo, uma taxa de variação anual do PIB por habitante de 10%, consegue duplicar o seu valor em 7 anos, o que é importante para a melhoria das condições de vida. Foi o que a China conseguiu nos últimos anos antecedentes do Covid-19, isto é, em cada 7 anos desse período duplicou o valor do seu rendimento médio social.

No entanto, a máxima repercussão social duma duplicação do rendimento por habitante em cada 7 anos depende dos modelos de distribuição da renda, do acesso às oportunidades de emprego e de negócio e da transformação estrutural dos sistemas económicos. Evidências empíricas retiradas de muitos estudos de correlação entre o aumento do rendimento médio e as transformações económicas estruturais apontam no sentido duma alteração sustentada da participação relativa sectorial no PIB, à medida que o rendimento por habitante cresce. A indústria transformadora é o cerne dum processo de diversificação económica estrutural sustentado. As razões são fáceis de enumerar:

¦ A industrialização das economias é um fenómeno ligado ao desenvolvimento económico, não havendo economias avançadas sem um sector transformador forte, dinâmico e de elevado valor agregado interno.

¦ A industrialização é, muitas vezes, vista como potenciadora da geração de emprego. Entre nós, o desenvolvimento da agricultura, no sentido moderno do termo, vai ter de passar pela libertação de quantidades elevadas de mão-de- -obra, que deverão ser absorvidas pelas actividades manufactureiras, numa primeira fase, e de serviços, num segundo momento, quando a qualificação dessa força de trabalho for compatível com os processos tecnológicos usados nestes sectores de ponta.

¦ A industrialização é o caminho mais seguro para se reduzir a dependência externa e a concentração das exportações. É deste modo que se consegue estabilizar os rendimentos externos provenientes da participação no comércio internacional.

¦ A industrialização é um poderoso factor de crescimento, modernização e desenvolvimento da agricultura, envolvendo-a num processo de integração económica interna valorizador dos recursos naturais do País.

¦ Dados os baixos níveis de produtividade do trabalho em todos os sectores de actividade, a industrialização contribui para os elevar, através da sua maior eficiência económica.

¦ Finalmente, a industrialização é o processo que sustenta as mudanças económicas e sociais associadas à saída dos estádios mais primários de desenvolvimento. Em Angola, as informações estatísticas disponíveis (INE, Contas Nacionais 2002-2020) apontam para uma variação de mais de 3,8 vezes no Produto Interno Bruto por habitante entre 2002 e 2008 a preços correntes (cerca de 8% ao ano, em média geométrica, ou seja, a possibilidade de ser duplicado em 9 anos). Em 2018, o Produto Interno Bruto por habitante foi de USD 3621, sem a correcção da paridade do poder de compra e em 2020 (dados provisórios) de USD 2014, uma queda, desde 2002, de 270%.

* Economista

(Leia o artigo integral na edição 618 do Expansão, de sexta-feira, dia 02 de Abril de 2021, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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