Pandemia arrasa negócio das "moambeiras" em Angola

Pandemia arrasa negócio  das "moambeiras" em Angola
Foto: Lídia Onde

As "moambeiras", mulheres que se deslocam ao exterior do país para comprarem produtos, sobretudo roupa, que vendem no mercado informal em Angola, perderam a oportunidade de fazer negócio por estarem impedidas de viajar nesta fase da pandemia da Covid-19. Muitas viraram-se para outras actividades para sobreviver, nomeadamente a venda de refeições nas praças, enquanto esperam que as viagens para o exterior sejam retomadas.

E algumas mantêm-se na venda de roupa, comprando peças no mercado do Kikolo e do Hoji-Ya-Henda, ganhando até 2.000 Kz por peça, quando antes chegavam a tirar de lucro até 1 milhão de Kz, por viagem.

Desânimo e desespero são sentimentos comuns entre as "moambeiras" que o Expansão encontrou num pequeno mercado, no distrito da Maianga, que acolhe em média 25 mulheres. Todas elas dizem que perderem entre 800 mil a 1 milhão de Kz nos lucros. Estas vendedoras informais são, muitas vezes, as intermediárias entre o mercado exterior e o mercado informal angolano, na venda de alguns produtos: roupa, calçado e cabelo brasileiro.

As rotas principais são o Brasil, Índia, China e a Turquia. Muitas destas "moambeiras" ficaram retidas, há um ano, na Índia e na Turquia, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou a pandemia. E o seu regresso teve de ser apoiado pelo Governo e pelas representações diplomáticas angolanas, o que dá bem conta dos riscos e sacrifícios que têm de fazer para exercer a actividade. Com os aviões no chão e as viagens canceladas, o balanço do negócio das "moambeiras" hoje só contabiliza prejuízos. O pouco que negoceiam mal dá para pôr comida na mesa. Os estudos dos filhos só estão garantidos se os pais ajudarem. Caso contrário, é tempo de pausa na escola, dizem, porque o dinheiro não chega. As vendas ressentem-se da falta de produtos vindos do exterior e também da falta de dinheiro de quem compra. A perda de poder de compra dos consumidores, com a desvalorização do kwanza, nota-se diariamente.

"Nós tínhamos um lucro de 1 milhão Kz ou mais e, agora, com a pandemia, a solução é comprar roupa aqui e ganhar 1.500 Kz por peça, o que não serve para nada", lamenta Anastácia João, "moambeira" há 6 anos". Hoje compra as peças de roupa que vende nas praças ou porta a porta, e que publicita nas redes sociais, em armazéns situados no Hoji-Ya-Henda e no Kikolo.

(Leia o artigo integral na edição 618 do Expansão, de sexta-feira, dia 1 de Abril de 2021, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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