Covid-19 e Brexit: variáveis da recessão económica e do êxodo em Londres

Covid-19 e Brexit: variáveis da recessão económica e do êxodo em Londres
Foto: D.R.

Numa abordagem eclética, de acordo com o que aponta a escatologia judaico-cristã, o primeiro grande êxodo da história da humanidade aconteceu no período da Idade Antiga, mais precisamente na Antiguidade Clássica dos séculos VI a V a. C., com o povo de Israel que estava sobre o jugo egípcio.

O êxodo, na sua mais nata concepção, é a saída de um povo de uma região ou de um país. Ao que se supõe, Londres é uma das cidades mais desejadas do mundo e está a perder população pela primeira vez depois de mais de três décadas de aumento. Este fenómeno foi observado em 2020 e deve repetir- -se em 2021, naquela que se presume ser a maior mudança demográfica, desde o fim da segunda Guerra Mundial.

Em 1939, a população de Londres era de 8,6 milhões de pessoas, mas o início da segunda Guerra Mundial mudaria esse cenário, a começar pelas crianças levadas para o interior, para escapar dos bombardeios alemães à capital. A partir daquele ano o declínio populacional duraria décadas; condições precárias de habitação, inflação, poluição e desindustrialização fizeram o total de habitantes de Londres chegar a 6,8 milhões nos anos 80, mas o crescimento vertiginoso da economia de Londres (como capital financeira global), acabou por levar de volta à capital pessoas oriundas não só do interior, mas também do estrangeiro, porém, in lato sensu, isso significa que a população voltou a crescer nos anos 90. Em 2015, Londres tinha o mesmo número de habitantes do que em 1939, porém tudo indicava que seriam 10 milhões de pessoas na cidade, porque, na verdade, mais e mais não britânicos chegavam para alimentar o mercado de trabalho, mas 700 mil estrangeiros deixaram a capital entre o terceiro trimestre de 2019, e o mesmo período de 2020, segundo os dados do ESCOE - Economic Statistics Centre of Excellence (Centro de Excelência e Estatísticas Económicas).

Todavia, se pegarmos os dados de 2019, veremos que, de todos os estrangeiros que viviam no Reino Unido, 37% habitavam em Londres e a maioria trabalhava em restauração, hotelaria e bares "os chamados sectores da hospitalidade". Neste ponto de vista, o setor de hospitalidade, pertencente à classe trabalhadora, estimulava de forma bastante positiva o crescimento vertiginoso da economia. Em Londres, em cada quatro pessoas que actuam em limpeza e cozinha, três são estrangeiras, mas em 2020 o sector da hospitalidade foi muito atingido pelas restrições sanitárias da pandemia da Covid-19. Outrossim, antes da chegada do novo coronavírus, a taxa de desemprego no Reino Unido, estava em 3,8% (nível mais baixo desde 1975), mas hodiernamente está no ponto mais alto dos últimos quatro anos. Deste ponto de vista, mais de 1,7 milhões de pessoas não estão empregadas, mas a taxa de desemprego pode variar entre 7% a 10%, até meados do ano, segundo as projecções do Banco de Inglaterra. Importa salientar que o custo do alojamento também é um grande problema, ou seja, a capital britânica tem o arrendamento mais caro de imóveis da Europa e o quarto mais caro do mundo.

*Especialista em Relações Internacionais

(Leia o artigo integral na edição 620 do Expansão, de sexta-feira, dia 16 de Abril de 2021, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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