Se o cobre poderá ser o "novo petróleo", o que é que o Executivo pensa fazer?

Se o cobre poderá ser o "novo petróleo", o que é que o Executivo pensa fazer?

Hoje quando os países desenvolvidos falam num processo de recuperação pós-Covid-19 mencionam sempre a necessidade de ele ser inclusivo, sustentável e acima de tudo amigo do ambiente. Nesta senda, a redução do uso de combustíveis fósseis é vista como essencial.

De facto, na edição passada o Expansão indicou mesmo que alguns países até já têm uma data para proibição de circulação de veículos a gasóleo e gasolina. Por exemplo, na Noruega será em 2025 e na Escócia em 2032 (no Reino Unido como um todo em 2035). Essas datas apesar de serem indicativas mostram a seriedade com que este assunto deveria ser analisado por países extremamente dependentes das receitas provenientes das exportações de petróleo como é o caso de Angola. Olhando rapidamente para o Relatório de Fundamentação do OGE 2021, vemos que as receitas petrolíferas representam 51% do total das receitas previstas. Mais uma razão para que o Executivo intensifique a busca por alternativas às receitas petrolíferas.

Por isso, foi com algum interesse que recentemente lemos uma notícia(1) que indicava, na opinião de especialistas ligados ao Bank of America e da prestigiada Goldman Sachs, que devido à redução dos inventários de cobre a nível global, esta matéria prima poderá ter um preço entre os 15.000 e os 20.000 dólares por tonelada métrica já em 2025, i.e., daqui a 4 anos!

Das poucas notícias que temos sobre o Planageo, sabemos que existem indícios de que Angola possa ter uma importante reserva mineira de cobre, que seria uma extensão da cintura de cobre existente na Zâmbia e República Democrática do Congo (RDC). Para além dessa possibilidade sabemos que a mina de cobre de Mavoio(2) na província do Uíge poderá começar a produzir já em 2023. Tudo indica que esse projecto de Mavoio está sendo desenvolvido por privados, o que mostra que o Estado não precisa ter uma presença directa neste tipo de iniciativa. Todavia, à luz do possível aumento da demanda num futuro próximo, é imperioso que o Executivo assegure as condições para que essa mina esteja não apenas operacional na data prevista, mas que tenha toda uma infraestrutura necessária para que o cobre possa, numa primeira fase, ser exportado. Falamos de infraestruturas de acesso à mina, definição do porto de escoamento (Soyo, Luanda) sem descurar, claro, as infraestruturas sociais.

*Docente e investigador da UAN

(Leia o artigo integral na edição 625 do Expansão, de sexta-feira, dia 21 de Maio de 2021, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

Partilhar no Facebook

Comentários

Destaques

ios Play Store Windows Store
 
×

Pesquise no i