A produção nacional, o proteccionismo e a inflação

A produção nacional, o proteccionismo e a inflação
Foto: Lídia Onde

Tem-se vindo a criar a ideia de que a protecção da produção nacional traria, como consequência, a diminuição dos preços no consumidor! Muita gente se espantou, portanto, quando os dados da inflação do INE mostraram o contrário, e o governador do BNA veio lançar o alerta para o perigo da revisão do objectivo da inflação para 2021, justificando-o, entre outros, pelo efeito da redução das importações.

A lógica dessa ideia parece radicar no efeito do aumento das importações sobre a depreciação da moeda e, por consequência, nos preços ao consumidor: se a inflação interna fosse inferior à depreciação da moeda os preços poderiam crescer menos. Contudo, esta lógica esquece que, em termos absolutos, os produtos importados são mais baratos do que os nacionais, por razões de eficiência, e, portanto, qualquer acção sobre as importações encarece, necessariamente, os produtos. Se assim não fosse para que serviria a protecção? Se os preços fossem mais baixos, a produção nacional estaria protegida por si própria, sem necessidade de qualquer esforço por parte do Estado. O proteccionismo só se compreende exactamente porque os nossos produtores são menos eficientes e, portanto, os nossos produtos são mais caros.

O sacrifício dos consumidores só se justifica pela criação de valor acrescentado interno, quer dizer, de rendimento adicional sob a forma de salários e lucros; contudo, tem de ser possível medi-lo com a maior transparência e fixar-lhe limites.

*Economista e director do Cinvestec

(Leia o artigo integral na edição 626 do Expansão, de sexta-feira, dia 28 de Maio de 2021, em papel ou versão digital com pagamento em Kwanzas. Saiba mais aqui)

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