BNA mantém ciclo de desaperto e faz sétimo corte das taxas directoras no pós-Covid-19
Os cortes nas taxas de juro já eram esperados, tendo em conta a trajectória descendente da inflação homóloga, que continua abaixo das taxas directoras do banco central, o que cria aqui margem para mais alívios na política monetária.
O ciclo de desaperto da política monetária em Angola continua a ganhar força, depois de o Comité de Política Monetária (CPM) do Banco Nacional de Angola (BNA) decidir voltar a reduzir as taxas directoras. Este corte alivia o custo do dinheiro na economia ao ditar os juros que os bancos comerciais pagam para obter liquidez junto do banco central, bem como a remuneração dos depósitos efectuados no BNA.
Trata-se do sétimo corte efectuado no período pós-Covid-19, contra quatro apertos num ciclo de pouco mais de cinco anos marcados por picos e descidas de inflação, por fortes desvalorizações cambiais e valorizações (antes das eleições em 2022) e altas e baixas de preços do petróleo, o que obrigou a medidas concretas do BNA para "atacar" estas oscilações no período.
Aquele que é o quarto desaperto consecutivo da política monetária resulta da desaceleração da taxa de inflação. Apesar de a inflação mensal ter aumentado nos últimos dois meses, a taxa homóloga continua em queda há 21 meses consecutivos, fixando-se em 11,6% em Abril, o que representa uma redução de 10,7 pontos percentuais em comparação com o mesmo período do ano passado.
Só para se ter uma ideia, a inflação homóloga registada em Abril foi a mais baixa dos últimos 34 meses. Ainda assim, persistem dúvidas em torno da metodologia de cálculo do Índice de Preços no Consumidor (IPC), uma vez que o Instituto Nacional de Estatística (INE) tem vindo a actualizar as ponderações da cesta de bens e serviços para medir a inflação, mas especialistas defendem maior transparência relativamente aos critérios adoptados.
"A decisão de redução das taxas de política monetária fundamenta-se nos ganhos observados na trajectória da inflação, bem como nas perspectivas da sua evolução no curto prazo", justificou o governador do BNA, Tiago Dias.
Neste sentido, o banco central reduziu a taxa directora (Taxa BNA) de 17,5% para 17%, equivalente a um corte de 0,5 pontos percentuais. Também as taxas da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez e da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez foram ajustadas para 18,0% e 16,0%, respectivamente, face aos anteriores 18,5% e 16,5%.
Os cortes nas taxas de juro já eram esperados pelo mercado, tendo em conta a trajectória descendente da inflação homóloga, que continua abaixo das taxas directoras do banco central, já que há um diferença de 5,4 pontos percentuais entre a taxa directora de juros e a taxa de inflação homóloga, o que cria aqui margem para mais alívio da política monetária.
Assim, a expectativa é que esta redução dos juros contribua para dinamizar o mercado monetário interbancário e possa ,igualmente, favorecer uma descida gradual das taxas de juro aplicadas ao crédito à economia.
Nova meta de inflação: 11,5%
Perante a evolução recente dos preços e sem sinais de pressões inflacionistas significativas nos próximos meses, o CPM reviu em também baixa a meta de inflação para o final do ano, passando de 13,5% para 11,5%, numa redução de dois pontos percentuais.
Segundo Tiago Dias, o BNA está atento aos desenvolvimentos no Médio Oriente e aos impactos que o aumento dos preços dos insumos agrícolas e fertilizantes pode ter sobre a economia angolana, sobretudo nas importações de bens alimentares e na produção agrícola interna.
"Entendemos que existia espaço suficiente para proceder à revisão em baixa das nossas previsões de inflação. Estas projecções também consideram as pressões inflacionistas normalmente verificadas no final do ano. Ainda assim, estimamos encerrar 2026 com uma inflação em torno de 11,5%, com uma margem de variação de um ponto percentual", afirmou.
Apesar da desaceleração da inflação e das perspectivas mais optimistas apresentadas pelo banco central, Angola continua bastante acima das médias regionais projectadas pelo FMI.











