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Economia

Crédito malparado na banca encolhe 256 milhões USD em 2025

15,8% DO CRÉDITO BRUTO ESTAVA EM INCUMPRIMENTO

Trata-se do valor mais baixo da taxa de malparado na banca nacional desde Fevereiro de 2024. Por cada 1.000 kwanzas emprestados, 158 estão em incumprimento. As taxas de juro têm vindo a baixar à "boleia" da desaceleração da inflação e isso também "justifica" a gestão artificial da taxa de câmbio.

O crédito malparado na banca angolana caiu 3,4 pontos percentuais para 15,8% em 2025 face a 2024, o que significa que dos 9,2 biliões Kz que valiam o crédito bruto da banca em Dezembro, quase 1,5 biliões Kz, equivalentes a 1.591 milhões USD, estavam em incumprimento, de acordo com cálculos do Expansão com base nos dados do Banco Nacional de Angola (BNA).

Contas feitas, foram menos 233,2 mil milhões Kz em malparado do que em Dezembro de 2024, quando o crédito em incumprimento na banca rondava os 1,7 biliões Kz. Se contabilizarmos em dólares, o malparado caiu 256 milhões USD no ano passado.

Assim, por cada 1.000 Kz de crédito bruto do sistema financeiro nacional um total de 158 Kz estavam malparados. Ainda assim, longe vão os tempos em que o malparado valia 34,5% do crédito bruto da banca, como aconteceu em Junho de 2019.

Com o total do crédito bruto de 4,9 biliões Kz, à taxa de câmbio da altura equivalia a 14.494 milhões USD, o que significa que o malparado em Junho de 2019 era de cerca de 5.000 milhões USD, tendo baixado substancialmente quando, em Junho de 2020, a Recredit "assumiu" o crédito em incumprimento do maior banco público, o BPC.

A queda deste ano do malparado, deve-se, por um lado, às consequências do desaperto da política monetária verificada ao longo do ano. O Comité de Política Monetária (CPM) do Banco BNA cortou duas vezes no ano passado a taxa de juro directora, a denominada Taxa BNA, ao passar de 19,5% para 19,0% em Setembro e depois para 18,5% em Novembro, aproveitando a "bo leia" da desaceleração da inflação.

No ano passado, o supervisor bancário foi particularmente activo no desaperto da política monetária, cortando também os juros da Facilidade Permanente de Absorção de Liquidez e também implementou medidas de libertação de liquidez através da redução do coeficiente de Reservas Obrigatórias.

Normalmente, quando alguém vai a uma instituição bancária pedir crédito, o banco cobra- lhe uma taxa Luibor, acrescida de uma margem que depende do risco desse cliente. Depois de ter fechado 2024 em 22,7%, a Luibor foi caindo consecutivamente até se fixar em 18,79% em 2025, o que, teoricamente, significa que os créditos viram a suas prestações reduzir, desagravando as dificuldades das famílias e das empresas em cumprir as suas obrigações, dando margem para a redução do malparado. Taxas de juro mais baixas significam menos esforço para famílias e empresas conseguirem cumprir com as suas obrigações com a banca.

Por outro lado, está também a estabilidade da moeda nacional, por via administrativa, já que o dólar está praticamente parado nos 912 Kz desde Dezembro de 2024. Só em 2025, o valor do dólar face à moeda nacional oscilou num intervalo inferior a 1 Kz durante todo o ano, embora o BNA tenha reiterado em várias ocasiões que o mercado cambial opera "com base na oferta e procura", mas admitiu que a sua intervenção tem sido "prudencial" para evitar volatilidade excessiva num contexto de forte desaceleração do sector petrolífero, e de menor entrada de divisas e aumento da incerteza macroeconómica.

Leia o artigo integral na edição 870 do Expansão, quinta-feira, dia 02 de Abril de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui

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