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Economia

Inflação resiste à subida dos preços da luz, água e do gasóleo e fecha 2025 em 15,7%

ÍNDICE DE PREÇOS NO CONSUMIDOR

A capital, historicamente conhecida por registar a inflação mais elevada do País, surge agora entre as províncias com menores variações de preços (só perde para o Huambo com 13,1% e para o Cuando e o Cubango com 14,06%). Especialistas desconfiam desta descida acentuada em Luanda.

O custo de vida dos angolanos reduziu em 2025, com a taxa de inflação homóloga a fixar-se em 15,7% em Dezembro, o que representa uma redução de 11,8 pontos percentuais face aos face aos 27,5% registados em 2024, de acordo com o Índice de Preços no Consumidor Nacional (IPCN) divulgado recentemente pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Os preços continuaram a subir, mas a um ritmo menos acelerado do que no período anterior. O facto é que esta desaceleração da inflação foi indiferente à subida do gasóleo, já que praticamente, de acordo com dados do INE, não se sente os efeitos da subida deste combustível registado em Março ( de 200 Kz para 300 kz por litro) e em Julho, segundo aumento que passou de 300 Kz para 400 Kz por litro, que consequentemente levou à subida das tarifas dos transportes públicos colectivos urbanos. Os táxis colectivos (vulgo "candongueiros") passaram a custar 300 Kz por corrida, face aos 200 Kz praticados anteriormente, ao passo que o bilhete de autocarro que custava 150 Kz subiu para 200 Kz. E isto pressupõe que os combustíveis pesam muito pouco nos diversos sectores da economia, segundo os números do INE. O banco central, que tem como missão, garantir a estabilidade de preços, de forma a assegurar a preservação do valor da moeda nacional, tem dito que a tendência de desaceleração da inflação deve manter-se, "tendo em conta o nível de liquidez adequado à actividade económica, à maior disponibilidade de produtos de amplo consumo e à relativa estabilidade cambial". Mas também algumas hipóteses podem ajudar a compreender o fenómeno. O INE tem vindo a actualizar a estrutura do Índice de Preços no Consumidor (IPC), alterando as ponderações atribuídas aos diferentes bens e serviços. Num contexto em que o consumo das famílias se contraiu e os hábitos mudaram, a alteração da estrutura do IPC pode ter contribuído de forma significativa para reduzir a taxa medida, mesmo sem uma redução proporcional do custo de vida. Associado a isto a estabilização relativa da taxa de câmbio reduziu o encarecimento dos produtos importados, que têm grande peso no cabaz das famílias angolanas. Para 2025, no Orçamento Geral do Estado, o Governo tinha apontado a uma inflação no final de período de 16,6%, revista mais tarde em alta para 17,54%, ao passo que o BNA apontava a uma taxa de 17,5% revista em baixa para 17,0% em Novembro, mas o é que facto é que a taxa ficou abaixo previsões tanto do Governo, quanto do banco central. Para 2026, o Executivo está ainda mais optimista e prevê uma taxa de 13,7%. "Nada garante que a inflação se mantenha nesse nível ou venha a baixar nos próximos anos, pois a nossa inflação tem um comportamento do tipo iô-iô, sobe e desce de acordo com insondáveis variáveis. O mesmo se poderá dizer sobre outros indicadores macroeconómicos e sectoriais. Finalmente, não podemos deixar de fora a imprevisibilidade da evolução do contexto internacional", apontou o agrónomo Fernando Pacheco ao Expansão, numa antevisão de vários especialistas sobre o ano de 2026, publicada na primeira edição do ano. O "milagre" da inflação Depois de ter atingido os níveis mais altos de sempre, em 2024, o custo de vida dos Luandenses desacelerou, chegando a bater nos 14,2%. Melhor só mesmo em 2022, quando a inflação anual da capital se fixou em 13,1%, um período marcado pelas eleições gerais. A capital, historicamente conhecida por registar a inflação mais elevada do País, surge agora entre as províncias com menores variação de preços (só perde para o Huambo com 13,1% e para o Cuando e o Cubango com 14,06), invertendo completamente uma tendência que parecia estrutural. A inflação pode ter abrandado nos números, mas nas ruas de Luanda, o "milagre" ainda não se faz sentir no bolso dos consumidores. Até porque nestes últimos 12 meses tivemos aumentos significativos nos transportes, nas propinas das escolas e nos serviços de saúde.

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