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ENDE com lucros pela primeira vez desde 2018, mas continua em falência técnica

NA ERA PÓS SUBSÍDIO AO PREÇO

As fortes perdas comerciais são transversais a todo o sector e um sinal de ineficiência que se transforma no estrangulamento financeiro das empresas do sector. Quem mais perde electricidade na rede é a PRODEL, mas a ENDE é a "ovelha negra", já que a sua incapacidade de cobrar ao consumidor final afecta todo o sistema.

Empresa de Distribuição de Electricidade (ENDE) regressou aos lucros ao fim de sete anos, registando 7,7 mil milhões Kz (equivalente a 8,5 milhões de dólares) em resultados líquidos em 2025, graças a uma injecção de "oxigénio" através de um subsídio operacional de 23,1 mil milhões Kz, e ao aumento das vendas com a instalação de contadores de pré-pagamento e ao crescimento da base de clientes, apurou a Expansão com base no relatório e contas da distribuidora. Também a subida das tarifas verificada em Junho do ano passado pesou na melhoria dos resultados.

Apesar do lucro, a empresa continua longe de sair da falência técnica, ou seja, mesmo que todos os bens e direitos da empresa fossem vendidos hoje, o valor gerado não seria suficiente para pagar todas as dívidas. O capital próprio negativo já soma 336,3 mil milhões Kz, fruto de sucessivos prejuízos acumulados. Por isso, o Conselho de Administração deliberou aplicar a totalidade do resultado líquido de 2025 ao reforço da reserva legal, não havendo distribuição de dividendos relativos a esse exercício.

Trata-se do primeiro lucro após o Estado, em Julho de 2019, ter deixado de subsidiar directamente o preço da electricidade e ter passado a vigorar um regime que, na altura, supostamente reflectia os custos de produção e distribuição. Mas de lá para cá, apenas no ano passado foram actualizadas as tarifas, que ainda assim são insuficientes para "pagar" o sector, obrigando o Estado a atribuir transferências e subsídios operacionais (ou à exploração) a empresas públicas do sector empresarial para cobrir défices e garantir a continuidade do serviço.

Os proveitos operacionais cresceram substancialmente no ano passado. Segundo o relatório e contas da ENDE, as vendas de electricidade cresceram 115% para 205,6 mil milhões Kz em comparação com 2024. Esse resultado deveu-se ao alargamento da base de clientes em 7,5% (agora com mais de 2,2 milhões) e à instalação de 219.927 contadores de pré-pagamento, dos quais 4.100 inteligentes destinados aos grandes consumidores. Esta medida permitiu recuperar 22% da dívida dos clientes e, consequentemente...

Leia o artigo integral na edição 889 do Expansão, sexta-feira, dia 14de Agosto de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui

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