TAAG aperta controlo das operações para fechar fugas e travar prejuízos
Centralização das vendas para Cabinda é a face mais visível de uma mudança que passa pelo controlo de custos, recuperação de aviões e reorganização do pessoal. Depois de perder 144,7 milhões USD em 2025, a companhia promete apresentar sinais positivos, mas o preço do combustível, a ameaça de greve e a qualidade do serviço aumentam os riscos.
A TAAG decidiu retirar aos intermediários a venda de bilhetes para Cabinda e concentrar, a partir de 15 de Setembro, toda a comercialização da rota Luanda-Cabinda- -Luanda nos seus próprios canais. A medida responde a uma situação difícil de explicar: enquanto nos canais oficiais era praticamente impossível encontrar lugares, com voos que chegaram a aparecer lotados até Dezembro, bilhetes continuavam a surgir através de intermediários, mas a preços bastante superiores aos 29.717 Kz fixados para a viagem de ida e volta em classe económica.
A própria companhia admite que a intermediação estava a provocar distorções na venda e especulação nos preços e justifica a centralização com a necessidade de controlar a disponibilidade de lugares e garantir o acesso à tarifa oficial. Os bilhetes passam a ser vendidos apenas através do call center, lojas da TAAG nos aeroportos de Cabinda e Dr. António Agostinho Neto, aplicação móvel e website, mantendo- -se frequências e tarifa subsidiada.
Depois de várias semanas de pressão na comunicação social e opinião pública, a administração da companhia tomou uma série de medidas para introduzir um maior controlo dos processos, responsabilização das áreas de negócio, redução de custos e para perceber melhor onde a companhia ganha, perde ou deixa escapar dinheiro.
A TAAG está a recuperar aeronaves paradas, reforçar o controlo orçamental, reorganizar a força de trabalho e alterar processos comerciais. Prevê reformar cerca de 300 trabalhadores, aproximadamente 10% do quadro, ao mesmo tempo que necessita de preservar competências técnicas essenciais. É precisamente nos recursos humanos que surge um dos riscos.
Continua a pairar sobre a companhia a possibilidade de greve dos técnicos de manutenção. O Sindicato dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves (STMA) tinha convocado uma paralisação para 1 de Setembro, com reivindicações salariais e divergências sobre as negociações e decisões de gestão. A administração anunciou que o pré-aviso tinha sido retirado, mas a ameaça não desapareceu.
A paralisação foi protelada, mantendo o sindicato a possibilidade de voltar a convocá-la caso não haja acordo. O conflito coloca a Administração perante um equilíbrio difícil: reduzir custos e controlar a massa salarial sem perder técnicos indispensáveis para manter os aviões no ar. Na área comercial, a estratégia passa também por crescer através de terceiros.
O codeshare com a LATAM permite à TAAG vender mais de 50 destinos brasileiros através de São Paulo sem ter de colocar aviões próprios nessas ligações. Na Europa, a AVIAREPS assumiu desde 1 de Setembro a representação comercial, procurando aumentar as vendas junto de agências, operadores turísticos e clientes empresariais. A lógica é retirar mais receita dos activos existentes sem fazer crescer os custos ao mesmo ritmo.
Dinheiro começa a aparecer nas contas
Os primeiros números foram apresentados no final de Agosto. No I semestre, a TAAG diz ter gerado 19,2 milhões USD de caixa operacional e executado despesas 25,7 milhões USD abaixo do orçamento. Recuperou cinco aeronaves e aumentou de 10 para 13 os destinos africanos, tendo autorização para avançar para Accra, Dakar e Praia. São sinais positivos, mas insuficientes para falar numa recu... Leia o artigo integral na edição 893 do Expansão, sexta-feira, dia 11 de Setembro de 2026, em papel ou versão digital com pagamento em kwanzas. Saiba mais aqui











